terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Governo deve gastar R$ 3,8 bilhões com benefícios a servidores em 2026

 

Valor inclui reajustes, gratificações e mudanças nas carreiras do Executivo previstas no orçamento enviado pelo governo Lula

 atualizado 

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VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto
Esplanada dos ministérios: reforma administrativa reorganiza o serviço público. Governo deve gastar R$ 3,8 bilhões com benefícios a servidores em 2026

governo federal prevê gastar R$ 3,8 bilhões em 2026 para pagar aumentos salariais, gratificações e mudanças na carreira de servidores do Poder Executivo. Na prática, esse dinheiro vai bancar reajustes e benefícios de funcionários públicos ligados a ministérios e órgãos do governo federal.

Esse valor faz parte do orçamento aprovado na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LOA) e entra na conta das despesas primárias, que são os gastos como salários, benefícios e manutenção da máquina pública, e que contam para o cumprimento do arcabouço fiscal, a regra que limita quanto o governo pode gastar por ano.

No Orçamento, essas despesas aparecem com um nome genérico: “concessão de vantagens, aumentos de remuneração e alterações de estrutura de carreiras”, ou seja, isso significa:

  • Reajustes no salário base de servidores;
  • Pagamento de gratificações e adicionais;
  • Mudanças nas carreiras, como progressões, reclassificação de cargos e criação de novos planos de cargos.

Não se trata de um único aumento linear para todos os servidores, mas de um conjunto de medidas que mexem na remuneração e na estrutura das carreiras dentro do governo federal.

Esse valor reúne projetos de lei que já foram enviados ao Congresso em 2025 e que reorganizam carreiras do funcionalismo.

Entre eles, está o projeto que promove a reestruturação das carreiras da administração pública federal, além da proposta que cria um novo plano de cargos para o Ministério da Educação (MEC). Na prática, o Orçamento de 2026 apenas reserva o dinheiro necessário para pagar essas mudanças que já estavam em negociação.


Saiba o que é a LOA

  • LOA é a Lei Orçamentária Anual, que define quanto o governo pode arrecadar e gastar em cada ano;
  • Ela funciona como o orçamento do país, detalhando salários, benefícios, obras e políticas públicas;
  • A proposta é enviada pelo governo ao Congresso, que pode alterar e precisa aprovar o texto;
  • A LOA vale por um ano inteiro e passa a valer após sanção presidencial;
  • É nela que aparecem gastos com servidores, previdência, saúde, educação e investimentos;
  • Também indica se o governo está cumprindo ou não as regras fiscais, como o arcabouço.

Gastos dos demais poderes

O aumento de gastos com pessoal não é exclusivo do Executivo. O orçamento também prevê despesas semelhantes em outros poderes e órgãos:

  • Judiciário: R$ 2,4 bilhões;
  • Legislativo: R$ 1 bilhão;
  • Ministério Público da União: R$ 200 milhões;
  • Defensoria Pública da União: R$ 30 milhões.

Gratificações

Além dos reajustes e mudanças nas carreiras, o governo também prevê um gasto específico de R$ 545 milhões em 2026 para bancar 36,9 mil gratificações que ainda estão em análise no Congresso Nacional. A despesa está ligada ao pagamento de funções e cargos comissionados dentro da administração pública.

Na prática, são valores extras pagos a servidores que ocupam postos de chefia, coordenação ou funções estratégicas, sem que isso implique, necessariamente, novas contratações.

Especialistas em orçamento público destacam que esse tipo de gasto tende a se perpetuar ao longo dos anos, já que as gratificações passam a integrar a rotina da máquina pública, elevando de forma contínua a despesa com pessoal e reduzindo a margem do governo para investir em áreas como infraestrutura, saúde e educação.

Reestruturação das carreiras

O Projeto de Lei de reestruturação de carreiras enviado pelo governo ao Congresso ainda em 2025 é uma das principais iniciativas do pacote que busca modernizar e valorizar o funcionalismo público federal.

A proposta reorganiza e atualiza diversas carreiras da administração pública, cria mais de 8 mil cargos efetivos para universidades federais e formaliza acordos negociados ao longo do ano, beneficiando cerca de 200 mil servidores ativos e aposentados.

Segundo o governo, a reforma não se limita a reajustes salariais, mas pretende tornar a gestão de pessoas mais eficiente e alinhada às necessidades do Estado moderno, reduzindo distorções e fortalecendo a prestação de serviços à população.

Ministério da Gestão e Inovação (MGI) afirma que as mudanças fazem parte de um esforço contínuo para atualizar a estrutura de cargos, criar novas oportunidades em áreas estratégicas e melhorar a atração e retenção de profissionais qualificados no serviço público federal.


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