terça-feira, 17 de março de 2026

TJSP anuncia reposição salarial de 3,5% em reunião com entidades representativas dos servidores

 


O Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP) anunciou, nesta semana, um índice de 3,5% de reposição salarial para os servidores do Judiciário paulista. A informação foi apresentada durante reunião da mesa de negociações que contou com a presença do presidente da AOJESP, Cássio Ramalho do Prado, além de representantes de outras entidades da categoria.

O encontro teve início com a participação do presidente do TJSP, desembargador Eduardo Francisco Loureiro, que permaneceu por cerca de 30 minutos na reunião acompanhado de sua assessoria. Após o debate inicial, Loureiro passou a condução da reunião ao desembargador Irineu Fava, que preside a mesa de negociações.

Também participaram da reunião, representando o Tribunal, os juízes assessores Airton Pinheiro de Castro e Gabriela Fragoso Calasso Costa, do Gabinete Civil da Presidência, Mônica Gonzaga Arnoni e Renato Siqueira de Pretto, da área de Recursos Humanos. Estiveram presentes ainda as diretoras Vanessa Cristina Martiniano, da Secretaria de Gestão de Pessoas (SGP), e André Laursen Pavani, da Secretaria de Orçamento e Finanças (SOF).

Durante a reunião, representantes da SGP e da SOF apresentaram um panorama das contas do Tribunal e informaram o índice de 3,5% de reposição salarial. 

Na explanação, os secretários também destacaram que o TJSP implantará o “Descongela”, que foi sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, propiciando aos servidores um ganho adicional de 1,27%. Disseram ainda que com a aprovação do projeto do Adicional de Qualificação (AQ), ainda sem data, a recomposição estimada será de 2,31%.

Ainda na apresentação, a diretora Vanessa Martiniano informou que o auxílio-transporte passará a ser de R$ 18,80, valor correspondente à tarifa de integração na capital paulista. Até então, o benefício era calculado com base na tarifa mais alta do transporte público no estado.

Durante a rodada de manifestações, José Gozze, presidente da Fespesp, da Assetj e da Central Pública, criticou o percentual anunciado, classificando-o como insuficiente diante das perdas acumuladas.

Segundo ele, os efeitos da pandemia não podem continuar impactando negativamente os salários dos servidores. “É um índice baixíssimo. Uma reposição de 3,5% é praticamente nada”, afirmou.

O presidente da AOJESP, Cássio Ramalho do Prado, também destacou que o índice apresentado não representa uma recomposição salarial efetiva. Em sua fala, Cássio mencionou o planejamento estratégico do TJSP até 2032, recentemente publicado no Diário da Justiça Eletrônico (DEJESP), e sugeriu que o Tribunal avalie a possibilidade de um escalonamento para pagamento de valores atrasados, caso não seja possível quitá-los imediatamente. “Entendemos que esse ganho não representa recomposição salarial, como já destacou o Gozze. Sabemos das dificuldades, mas poderia haver um esforço para alcançar um índice melhor. Talvez um estudo que permita recompor essas perdas gradualmente”, afirmou.

O dirigente também alertou que alguns dos ganhos mencionados ainda são incertos. “A simples aprovação na Assembleia Legislativa não garante a vigência do AQ. Ainda é necessária a sanção do governador. Esperamos que haja convencimento para que isso ocorra, mas não sabemos quando. Portanto, esse ganho ainda é incerto e não pode ser computado como algo efetivo”, pontuou.

Por fim, Cássio pediu que o Tribunal reconsiderasse o índice anunciado e avaliasse a possibilidade de dar alguma porcentagem a mais.

Após amplo debate entre as entidades e os representantes do Tribunal, o desembargador Irineu Fava afirmou que levará à Presidência do TJSP a possibilidade de ampliar o índice de reposição salarial em mais 1%, o que poderia elevar o reajuste para 4,5%. 

O magistrado explicou, no entanto, que não possui autonomia para tomar essa decisão, cabendo a deliberação final ao presidente do TJSP. O secretário da SOF complementou dizendo que esta fração representaria cerca de R$ 74 milhões a mais. 

O juiz assessor da Presidência, Airton Pinheiro de Castro, tentou falar com o presidente do TJSP por telefone, mas não conseguiu contato. As entidades fizeram uma contraposta de 5%, “para arredondar, porque 3,5% é nada!”. Airton disse que acredita que pode chegar nos 4,5%, mas que nos 5% não conseguiria chegar. Ele disse que levará o assunto ao presidente.

Questionados se haveria a possibilidade de entrar na folha de março, com pagamento em abril, Vanessa esclareceu que se a decisão vier até 20 de março é possível.

Durante a reunião, o juiz assessor da Presidência Airton Pinheiro de Castro informou que o TJSP atuará junto à Assembleia Legislativa de São Paulo (ALESP) para aprovação do projeto do AQ ainda este mês.

A mesa de negociações deverá continuar debatendo as demandas da categoria nas próximas reuniões, em especial a pauta prioritária já aprovada em assembleia da categoria.

Folhateen mostra o cotidiano dos jovens que vivem na Fundação Casa; veja vídeos


  • Série Juventude Sob Custódia ouve os adolescentes que cumprem medias socioeducativas no local
  • Meninos e meninas seguem rotina rígida com aulas, atividades físicas e cursos profissionalizantes
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São Paulo

Nas últimas semanas, dois casos violentos supostamente envolvendo menores de idade —o caso Orelha e o estupro coletivo de uma jovem de 17 anos no Rio de Janeiro— reacenderam o debate sobre a punição de adolescentes.

Pela legislação brasileira, menores de 18 anos não cumprem pena em presídios; eles são submetidos a medidas socioeducativas, que vão de advertência à internação por até três anos. Em São Paulo, os jovens em regime fechado são encaminhados à Fundação Casa.

Por isso, o Folhateen decidiu visitar dois centros de detenção para entender como é a vida desses jovens no local.

Episódio 1: Como vivem as adolescentes privadas de liberdade

Folha passou um dia com adolescentes sob custódia do Estado para mostrar como é a rotina no único centro feminino da capital paulista, onde 47 meninas vivem em quartos compartilhados, entre salas de aula, quadra de esportes, grades e cadeados.

Episódio 2: Como é a vida de uma mãe de 14 anos na Fundação Casa

Folha ouviu o relato de uma adolescente de 14 anos que cumpre internação no Pami (Programa de Acompanhamento Materno-Infantil), unidade especializada da Fundação Casa e a única do estado de São Paulo destinada a mães adolescentes. Atualmente, ela é a única mãe na única unidade. O bebê nasceu há oito dias.

Episódio 3: Fundação Casa parece mais uma escola ou presídio?

No terceiro episódio da série Juventude Sob Custódia, a Folha foi a uma unidade masculina da Fundação Casa, na cidade de São Paulo.

Atrás de muros altos, grades e arame farpado, 48 meninos seguem uma rotina rígida. As aulas acontecem pela manhã. Antes do almoço, eles se sentam no chão do pátio e aguardam a vez de entrar no pequeno refeitório, onde comem em silêncio, virados para a parede.

À tarde, fazem atividades físicas com equipamentos improvisados ao som de rap e funk censurados. Também participam de cursos profissionalizantes. "Aprendi a ler e escrever aqui. Aqui não é ruim", diz um dos adolescentes.

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segunda-feira, 16 de março de 2026

MTE lança manual para orientar gestão de riscos ocupacionais nas empresas

 


Publicação traz orientações sobre a aplicação da NR-1 e aborda também o gerenciamento de riscos psicossociais no ambiente de trabalho

OMinistério do Trabalho e Emprego (MTE) lançou o Manual de Interpretação e Aplicação do Capítulo 1.5 da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que trata do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO). O objetivo da publicação é orientar empregadores, trabalhadores, profissionais de segurança e saúde no trabalho e demais atores sociais na implementação de um sistema de gestão voltado à prevenção de riscos no ambiente de trabalho.

O material apresenta orientações técnicas e interpretativas sobre como identificar, avaliar e gerenciar riscos ocupacionais, contribuindo para a correta aplicação das atualizações recentes da NR-1. Entre os temas abordados está também o gerenciamento dos riscos psicossociais, que incluem fatores relacionados à organização do trabalho que podem impactar a saúde mental dos trabalhadores.

A iniciativa faz parte das ações do MTE para fortalecer a cultura de prevenção e incentivar a criação de ambientes de trabalho mais seguros e saudáveis. As orientações também reforçam a importância da adoção de medidas preventivas e da gestão contínua dos riscos ocupacionais nas organizações.

O lançamento do manual está alinhado às ações da Campanha Nacional de Prevenção de Acidentes do Trabalho (CANPAT) 2026, que terá como tema Prevenção dos Riscos Psicossociais no Trabalho, ampliando o debate sobre saúde mental e trabalho digno.

O material está disponível para consulta e download aqui.

 

Trabalho e Emprego