segunda-feira, 10 de agosto de 2026

Fundação CASA registra 4.754 adolescentes em medidas socioeducativas em SP

 Correio da Manhã

Tráfico e roubo qualificado somam 70,2% dos atos infracionais registrados em SP.

Fundação CASA registra 4.754 adolescentes em medidas socioeducativas em SP
Fundação CASA, vinculada à Secretaria de Estado da Justiça e Cidadania, aplica medidas socioeducativas conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA)Crédito: Governo de SP

A Fundação CASA tem 4.754 adolescentes em atendimento no Estado segundo o boletim estatístico  da instituição. Do total, 3.693 estavam em internação, 656 em internação provisória, 220 em semiliberdade, 106 em internação sanção e 66 em atendimento inicial. Outros 13 estavam em atendimento externo, hospitais ou residências.

A capacidade instalada é de 5.712 vagas, com ocupação de 83,2%. A instituição conta com 93 centros de atendimento em 41 municípios. A internação concentra 77,7% dos adolescentes. A modalidade passou de 3.555 registros em 31 de dezembro de 2025 para 3.693 em agosto, aumento de 138. A internação provisória cresceu de 497 para 656, enquanto a semiliberdade passou de 180 para 220. A internação sanção subiu de 90 para 106 e o atendimento inicial, de 28 para 66.

Entre os atendidos, 3.408 tinham de 15 a 17 anos, 1.023 tinham 18 anos ou mais e 323 tinham entre 12 e 14 anos. Os adolescentes de 15 a 17 anos representam 71,7% do total. O boletim registra 4.574 homens e 180 mulheres, equivalentes a 96,2% e 3,8%.

O interior concentra 2.645 adolescentes, seguido pela capital e outras classificações, com 1.039, Grande São Paulo, com 719, e litoral, com 351. A região do interior reúne 55,6% da lotação. Na capital, são 1.429 adolescentes, enquanto a capacidade instalada é de 1.811 vagas. No interior, são 1.734 vagas.

Os atos infracionais relacionados a tráfico de drogas são os mais frequentes, com 2.137 registros, equivalentes a 44,95% do total. O segundo grupo é o roubo qualificado, com 1.200 ocorrências, ou 25,24%. Juntos, os dois tipos somam 3.337 registros, ou 70,2% do total.

Na sequência aparecem furto, com 227 registros; furto qualificado, com 213; roubo simples, com 146; estupro, com 107; receptação e ameaça, com 92 cada; homicídio simples, com 57; e lesão corporal dolosa, com 55. Os demais atos infracionais somam 428 registros.

As medidas socioeducativas são aplicadas pela Justiça da Infância e da Juventude a adolescentes de 12 a 18 anos incompletos que praticaram ato infracional. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), instituído pela Lei nº 8.069/1990, prevê seis modalidades: advertência, reparação do dano, prestação de serviços à comunidade, liberdade assistida, semiliberdade e internação. O atendimento também segue o Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase), criado pela Lei nº 12.594/2012.

SOBRE A FUNDAÇÃO CASA

A Fundação CASA executa as medidas de semiliberdade e internação, além dos programas de atendimento inicial, internação provisória e internação sanção. Na semiliberdade, o adolescente permanece na unidade e pode estudar ou trabalhar fora.

A internação é privativa de liberdade e pode durar até três anos, com reavaliações pela Justiça. A internação provisória pode durar até 45 dias, enquanto a internação sanção pode chegar a 90 dias em caso de descumprimento de medida anterior.

Em São Paulo, advertência, reparação do dano, prestação de serviços à comunidade e liberdade assistida são executadas pelas prefeituras desde 2010. Já a Fundação CASA oferece escolarização, educação profissional, atividades de arte e cultura, esportes e atendimentos de psicologia, serviço social e saúde, além de acompanhar as famílias durante o cumprimento das medidas.

Porte de arma é aprovado para novas profissões; veja as categorias permitidas

 

O porte de arma está sendo aprovado para novas profissões no Brasil.
Porte de arma Profissões
O porte de arma está sendo aprovado para novas profissões no Brasil. Crédito: Divulgação
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Profissionais de diferentes áreas podem ganhar autorização legal para solicitar o porte de arma de fogo no Brasil. Projetos que tratam do assunto avançaram em comissões do Congresso Nacional e ampliam a discussão para além das categorias tradicionalmente ligadas à segurança pública.

Entre os principais grupos contemplados estão advogados e corretores de imóveis. No entanto, outras propostas também incluem agentes de trânsito, fiscais ambientais, servidores do Procon, vigilantes, guardas municipais e médicos veterinários.

Apesar dos avanços, as novas autorizações ainda não entraram em vigor. A aprovação em uma comissão representa apenas uma das etapas da tramitação no Congresso. Os projetos ainda podem passar por outros colegiados, pelos plenários da Câmara e do Senado e, posteriormente, pela análise da Presidência da República.

Além disso, o reconhecimento de uma profissão como atividade de risco não garante que todos os trabalhadores daquela área possam andar armados. O profissional deverá solicitar a autorização e cumprir os requisitos previstos na legislação.

Porte de arma para corretores avança

A Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados aprovou uma proposta que permite aos corretores de imóveis solicitarem porte de arma de fogo por causa da atividade profissional.

Os defensores do projeto argumentam que esses trabalhadores enfrentam situações de vulnerabilidade durante a rotina. Muitos corretores visitam imóveis desocupados, recebem pessoas desconhecidas, transportam documentos e circulam por áreas afastadas ou com pouca movimentação.O texto considera essas circunstâncias suficientes para reconhecer a profissão como uma atividade sujeita a riscos, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.

Para pedir a autorização, o corretor deverá manter o registro profissional ativo no Conselho Regional de Corretores de Imóveis, o Creci. Mesmo assim, o documento não será concedido de maneira automática.

O projeto ainda precisa avançar em outras etapas na Câmara. Entre elas está a análise da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Dependendo da tramitação, a proposta também seguirá para o Senado.

Advogados podem ganhar direito de solicitar porte de arma

Outra proposta que avançou no Congresso beneficia os profissionais da advocacia. A Comissão de Segurança Pública do Senado aprovou um projeto que cria uma previsão específica para o porte de arma destinado à defesa pessoal dos advogados.

O texto altera o Estatuto da Advocacia e o Estatuto do Desarmamento. Dessa forma, profissionais regularmente inscritos na Ordem dos Advogados do Brasil, a OAB, poderiam solicitar a autorização com base nos riscos relacionados ao exercício da profissão.

A justificativa aponta que advogados podem sofrer ameaças durante a atuação em processos criminais, disputas patrimoniais, conflitos familiares, cobranças judiciais e outras ações marcadas por tensão entre as partes.

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Entretanto, a aprovação no colegiado não autoriza imediatamente os advogados a circularem armados. A proposta ainda precisa concluir a tramitação legislativa para produzir efeitos práticos.

Aprovação não libera arma automaticamente

Embora os projetos tenham recebido aprovação em comissões, nenhuma das categorias contempladas passa a ter porte de arma automático.

Na prática, as propostas criam uma base legal para que os profissionais apresentem o pedido. Depois disso, o órgão responsável deverá analisar cada solicitação individualmente.

O interessado ainda poderá precisar comprovar:

  • exercício regular da profissão;
  • residência fixa;
  • ocupação lícita;
  • capacidade técnica para manusear arma de fogo;
  • aptidão psicológica;
  • ausência de antecedentes criminais;
  • regularidade no conselho profissional;
  • cumprimento das demais exigências legais.

Portanto, a profissão poderá servir como justificativa para o pedido, mas não eliminará as avaliações e os controles exigidos pela legislação.

Agentes de trânsito também aparecem nas propostas

Os agentes de trânsito estão entre os servidores públicos que podem ganhar novas regras para o porte de arma.

Uma das propostas em análise cria normas gerais para a categoria e prevê a possibilidade de autorização para profissionais que desempenham atividades externas, operacionais e ostensivas.

O texto alcança, principalmente, agentes que trabalham em fiscalização, patrulhamento viário, abordagens e operações de trânsito. Por isso, a medida não significaria uma liberação automática para todos os servidores ligados ao setor.

A proposta passou pela Comissão de Segurança Pública do Senado e seguiu para a Comissão de Constituição e Justiça. O projeto ainda depende de novas aprovações antes de entrar em vigor.

Projeto contempla fiscais ambientais

Profissionais que combatem crimes e irregularidades ambientais também podem entrar na lista de categorias autorizadas a solicitar porte de arma.

A Comissão de Segurança Pública da Câmara aprovou uma proposta destinada aos agentes que realizam fiscalizações, vistorias, inspeções e apurações de infrações ambientais.

Esses servidores costumam atuar em regiões isoladas e operações contra desmatamento, garimpo ilegal, pesca irregular, extração clandestina de madeira e ocupação de áreas protegidas.

Segundo a justificativa do projeto, o trabalho pode gerar ameaças e retaliações por parte de pessoas envolvidas em atividades ilegais. Ainda assim, a medida precisa superar outras fases no Congresso antes de produzir efeitos.

Fiscais do Procon podem receber autorização para porte de arma

Outra proposta modifica o Estatuto do Desarmamento para permitir que servidores efetivos do Procon solicitem posse e porte de arma.

O projeto contempla fiscais que participam de inspeções, diligências e apurações de infrações contra os direitos dos consumidores.

Durante essas ações, os servidores podem enfrentar resistência, intimidação e ameaças por parte de responsáveis por estabelecimentos irregulares.

Mesmo que o projeto seja aprovado definitivamente, os fiscais ainda deverão comprovar aptidão psicológica, capacidade técnica e ausência de impedimentos legais.

Vigilantes podem ter porte de arma fora do expediente

A discussão também alcança os profissionais da segurança privada. Uma proposta aprovada na Comissão de Segurança Pública da Câmara reconhece a atividade de vigilante como profissão de risco.

O texto prevê porte pessoal de arma de fogo, inclusive fora do horário de trabalho. Atualmente, o uso de armamento pelos vigilantes segue regras específicas e está ligado ao serviço autorizado.

Os autores da proposta argumentam que o risco não termina quando o profissional encerra o expediente. Isso ocorreria porque vigilantes podem ser reconhecidos ou ameaçados por criminosos em razão das atividades desempenhadas.

Apesar da aprovação na comissão, o projeto ainda não concluiu o processo legislativo.

Médicos veterinários são incluídos em projeto

Os médicos veterinários também aparecem entre as profissões que podem ganhar autorização para pedir porte de arma de fogo.

A Comissão de Segurança Pública da Câmara aprovou uma proposta voltada aos profissionais regularmente registrados no sistema dos conselhos de Medicina Veterinária.

A justificativa destaca que muitos veterinários trabalham em fazendas, propriedades rurais, estradas e locais afastados dos centros urbanos. Em algumas situações, esses profissionais transportam medicamentos, equipamentos e materiais de valor.

Para receber o porte, o veterinário deverá comprovar o exercício da atividade, apresentar certidões negativas, demonstrar capacidade técnica, passar por avaliação psicológica e cumprir os demais critérios legais.

Quais profissões aparecem nos projetos para porte de arma?

As propostas que tramitam no Congresso citam as seguintes categorias:

  • advogados;
  • corretores de imóveis;
  • agentes de trânsito;
  • fiscais ambientais;
  • servidores efetivos do Procon;
  • vigilantes;
  • médicos veterinários.

O andamento não é igual para todas as profissões. Alguns projetos já receberam aprovação em comissões, enquanto outros aguardam análise, designação de relator ou votação em novos colegiados.

Como funcionará a solicitação?

Caso os projetos avancem e sejam transformados em lei, os profissionais precisarão protocolar o pedido no órgão competente.

O processo poderá exigir documentos pessoais, comprovante de residência, certidões criminais, teste psicológico e certificado de capacidade técnica para o manuseio da arma.

Os conselhos profissionais também terão participação importante. Corretores, por exemplo, deverão comprovar registro ativo no Creci. No caso dos advogados, será necessária a inscrição regular na OAB.

O órgão responsável poderá negar a autorização quando o requerente não cumprir as exigências ou apresentar algum impedimento.

Novas regras para porte de arma

A aprovação nas comissões representa um avanço para as categorias interessadas, mas não encerra a tramitação.

Os projetos ainda podem sofrer alterações, receber novas emendas ou até ser rejeitados em etapas posteriores. Somente após a aprovação definitiva na Câmara e no Senado, seguida da sanção presidencial, uma nova regra poderá entrar em vigor.

Por enquanto, advogados, corretores e os demais profissionais citados não ganharam uma liberação geral para circular armados.

As propostas apenas avançaram na criação de uma previsão legal que poderá permitir a solicitação do porte. Mesmo após uma eventual aprovação, cada trabalhador continuará sujeito à análise individual e ao cumprimento das exigências previstas na legislação brasileira.

Foto de Gabriel Almeida

Gabriel Almeida

Jornalista há 11 anos, Gabriel Almeida é editor-chefe do Portal Tempo Novo. Atua diretamente na produção e curadoria do conteúdo, além de assinar reportagens sobre os principais acontecimentos da cidade da Serra e temas de interesse público estadual.