quarta-feira, 12 de agosto de 2026

Pediatras se manifestam contrários à redução da maioridade penal

 


Redação Tribuna do Norte17h40
Foto: José Cruz/Agência Brasil

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) manifestou posicionamento contrário à Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 32/2015, que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos. O texto foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados em junho e segue em tramitação no Congresso Nacional.

Em nota, a entidade alerta que a PEC propõe alterar a Constituição Federal e o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) sob o argumento de uma importante participação de adolescentes em crimes com morte.

“No entanto, conforme indicam os dados, crianças e adolescentes (com menos de 18 anos) são responsáveis por cerca de 0,5% a 2% dos homicídios ou dos crimes hediondos, a depender da metodologia utilizada, enquanto os adultos são responsáveis por cerca de 98% a 99,5%”, detalha a nota.

Ainda segundo a SBP, não há “evidência científica consistente” indicando que reduzir a idade penal diminua a criminalidade juvenil.

“Nenhum país com essa experiência apresenta dados validados sobre diminuição de taxas, isto é, que a redução da idade penal diminuiu os crimes em termos percentuais”, destaca o texto.

A nota cita também que a literatura científica atual não permite afirmar que países que adotaram a redução da maioridade penal registraram queda mensurável em crimes cometidos por adolescentes. “Em alguns casos, o efeito foi nulo e, em outros, houve até aumento da reincidência”.

Em contrapartida, os pediatras destacam que adolescentes estão entre as maiores vítimas de violência e de crimes com mortes no país. Dados apresentados dão conta de que, entre 2016 e 2020, 35 mil crianças e adolescentes de até 19 anos foram mortos de forma violenta no Brasil – uma média de sete mil óbitos por ano.

“Na avaliação da SBP, é preciso fazer cumprir os artigos 227 da Constituição Federal e 4º do ECA que determinam como dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, a efetivação dos seus direitos, a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.”

Próximas etapas

Após a aprovação da Comissão de Constituição e Justiça, a proposta que reduz a maioridade penal não segue diretamente para votação definitiva. O texto ainda precisa ser analisado por uma comissão especial temporária, que debaterá o mérito da questão.

Caso aprovado nesta comissão, ele vai para votação em dois turnos no plenário da Câmara dos Deputados, onde exige o apoio mínimo de três quintos (308 dos 513 parlamentares), em dois turnos de votação. Se aprovada nessas etapas, a matéria segue para o Senado Federal, onde passará por rito semelhante.

Agência Brasil

Redução da maioridade penal: veja como será a comissão especial da Câmara

 

Colegiado será instalado nesta quarta-feira (12) e expectativa é que parecer seja concluído somente em novembro

Aline Becketty, da CNN Brasil, São Paulo
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A instalação da comissão especial que vai analisar a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos deve ocorrer nesta quarta-feira (12) e abre uma nova etapa da tramitação da proposta na Câmara dos Deputados.

A previsão é que as discussões terminem depois da eleição. A data mais provável é novembro deste ano.

 

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aprovou em junho, por 44 votos a 18, a admissibilidade da proposta. Isto significa que os deputados não consideram a proposta em desacordo com a Constituição.

Agora que ficou entendido que a alteração é legal, a comissão especial passa a discutir as regras para redução da maioridade em si. O meio usado para mudar a legislação é uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição).

Próximos passos

Com a instalação da comissão especial, começa a contar um prazo de dez sessões do plenário para que deputados sugiram emendas. Os integrantes do colegiado também poderão propor alterações à PEC durante essa fase.

O relator, deputado Mendonça Filho, avalia apresentar já nesta quarta-feira o plano de trabalho, segundo apurou a CNN. O documento deverá organizar o calendário de audiências públicas, debates e demais etapas da discussão antes da apresentação do parecer. Ele pretende ouvir especialistas em infância e juventude, segurança pública e profissionais que trabalham com medidas sócio-educativas.

Pelo Regimento da Câmara, a comissão especial pode funcionar por até 40 sessões do plenário. A expectativa é que o relatório seja apresentado somente após as eleições, provavelmente em novembro.

Por se tratar de uma mudança na Constituição, a PEC precisa do apoio de pelo menos 308 dos 513 deputados, em dois turnos de votação.

Se passar pela Câmara, a proposta segue para o Senado, onde também precisará ser aprovada em dois turnos. A mudança só pode ser promulgada se as duas Casas aprovarem o mesmo texto.

Ambiente político

Parlamentares de esquerda devem se posicionar contra a medida. Historicamente a redução da maioridade é alvo de críticas de partidos com PSOL e do PT.

A direita e a centro direita são favoráveis a alteração e já houve tentativa de incluir esta mudança durante a discussão da PEC da Segurança. O relator era o mesmo da comissão especial da redução da maioridade, o deputado Mendonça Filho.


terça-feira, 11 de agosto de 2026

Entenda o papel da Fundação Casa na reeducação de adolescentes em conflito com a lei


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