AGENTE SOCIOEDUCATIVO É FERIDO E FEITO REFÉM DURANTE TENTATIVA DE FUGA NO CEM DE TERESINA
Um agente do sistema socioeducativo foi ferido e feito refém por um adolescente de 17 anos durante uma grave tentativa de fuga ocorrida no Centro Educacional Masculino (CEM), localizado no bairro Itaperu, zona Norte de Teresina, na tarde da última sexta-feira (23).
De acordo com informações apuradas, o adolescente — que cumpre medida socioeducativa por ato infracional análogo a homicídio — utilizou um instrumento perfurocortante artesanal para atacar o servidor. O objeto teria sido confeccionado a partir da perna de uma cadeira, o que levanta sérios questionamentos sobre as condições estruturais da unidade, a segurança interna e os protocolos de prevenção adotados.
O ataque ocorreu no momento em que o agente realizava uma atividade rotineira e institucional, ao colocar uma garrafa de água dentro da cela. Aproveitando-se da proximidade, o interno investiu contra o servidor, dando início a uma luta corporal dentro da unidade.
Imagens de câmeras de segurança, obtidas pela Fuxico Teresina, registram toda a ação e mostram que o agente foi perseguido pelo adolescente e mantido como refém por alguns instantes. As cenas evidenciam o alto grau de risco ao qual os servidores do sistema socioeducativo são submetidos diariamente, muitas vezes sem condições adequadas de segurança, equipamentos suficientes ou efetivo compatível com a complexidade das ocorrências.
A situação só foi controlada após a intervenção rápida de outros agentes socioeducativos, que conseguiram conter o adolescente e encerrar a tentativa de fuga, evitando consequências ainda mais graves. O agente ferido recebeu atendimento médico imediato, foi encaminhado para avaliação de saúde e, segundo informações oficiais, encontra-se fora de perigo e passa bem.
Em nota, a direção do Centro Educacional Masculino informou que todas as medidas administrativas e legais cabíveis foram adotadas, incluindo os procedimentos internos de apuração, comunicação aos órgãos competentes e reforço das ações de segurança dentro da unidade.
O episódio reacende o debate sobre a realidade enfrentada pelos profissionais do sistema socioeducativo, que lidam diariamente com adolescentes de alta periculosidade, muitos deles envolvidos em crimes graves, sem que haja, na mesma proporção, investimentos estruturais, valorização profissional e políticas efetivas de proteção ao servidor.
Entidades representativas da categoria defendem que casos como este não podem ser tratados como episódios isolados, mas sim como reflexo de um sistema que carece de melhorias urgentes em infraestrutura, gestão, capacitação, condições de trabalho e segurança, tanto para os servidores quanto para os próprios adolescentes em cumprimento de medida.
O caso segue sob apuração, e novas informações devem ser divulgadas conforme o avanço das investigações.

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