quarta-feira, 10 de junho de 2026

Brasil 24CCJ da Câmara aprova PEC que reduz maioridade penal para 16 anos

 


Texto aprovado na Comissão de Constituição e Justiça segue para comissão especial antes de eventual votação no plenário da Câmara

CCJ da Câmara dos Deputados (Foto: Vinícius Loures-Câmara dos Deputados )
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247 - A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (10) a admissibilidade da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reduz a maioridade penal de 18 para 16 anos. Com a decisão, a proposta avança na tramitação legislativa e seguirá para análise de uma comissão especial antes de ser submetida ao plenário da Casa.

De autoria do então deputado Gonzaga Patriota (PSB-PE), o texto recebeu 44 votos favoráveis e 18 contrários. A matéria voltou à pauta após um pedido de vista, mecanismo que concede mais tempo para análise dos parlamentares. A PEC foi o único item apreciado na reunião da comissão.

Caso avance nas próximas etapas, a proposta ainda precisará ser aprovada por pelo menos 308 deputados, em dois turnos de votação no plenário da Câmara, para então seguir ao Senado.

O que prevê a PEC

A proposta altera o artigo 228 da Constituição Federal para estabelecer que a imputabilidade penal passe a valer a partir dos 16 anos. Atualmente, a Constituição determina que menores de 18 anos são penalmente inimputáveis e estão sujeitos à legislação específica voltada à infância e adolescência.

O parecer favorável à admissibilidade foi apresentado pelo deputado Coronel Assis (PL-MT), relator da matéria na CCJ. Segundo ele, a discussão sobre a redução da maioridade penal não viola a Constituição nem tratados internacionais dos quais o Brasil é signatário.

“Não há violação em discutir-se a redução da idade penal. A imputabilidade penal aos 16 anos não configura, por si, afronta a tratado internacional de direitos humanos ratificado pelo Brasil, desde que preservados os direitos fundamentais do menor no processo penal, notadamente o tratamento distinto dos adultos”, afirmou.

Relator retirou mudanças sobre direitos políticos

A versão original da PEC não tratava apenas da redução da maioridade penal. O texto também previa tornar obrigatório o voto para maiores de 16 anos e reduzir a idade mínima exigida para candidaturas a cargos eletivos.

Entre as alterações propostas inicialmente estavam a possibilidade de jovens de 16 anos disputarem vagas de vereador, além da redução da idade mínima para cargos como presidente da República, senador, deputado federal, deputado estadual e prefeito.

No entanto, Coronel Assis decidiu retirar esses dispositivos durante a tramitação na CCJ. Segundo o relator, os trechos relacionados aos direitos políticos não guardavam relação direta com a discussão sobre imputabilidade penal e contrariavam o princípio da unidade temática da proposta.

Debate foi marcado por divergências

A votação foi precedida por tentativas de obstrução de parlamentares governistas, que apresentaram requerimentos para retirar a matéria da pauta e adiar a análise. As iniciativas, porém, foram rejeitadas pela maioria da comissão.

Durante os debates, deputados contrários à PEC sustentaram que a medida afronta direitos e garantias fundamentais previstos na Constituição.

A deputada Erika Kokay (PT-DF) afirmou que a proposta é inconstitucional e criticou a possibilidade de adolescentes serem encaminhados ao sistema prisional comum.

“Estão querendo colocar os adolescentes em um sistema prisional superlotado, em que não há nem segurança alimentar. Está se querendo tirar garantias e direitos fundamentais. Uma cláusula pétrea não pode ser modificada por emenda constitucional. É uma matéria que fere direitos e garantias individuais”.

Também contrária à proposta, a deputada Talíria Petrone (PSOL-RJ) argumentou que a medida não contribui para enfrentar os desafios da segurança pública.

“Não é possível pensar no futuro do Brasil sem pensar nas crianças e nos adolescentes. Não é uma agenda que interessa o futuro do Brasil”, disse. “Não vai resolver o problema da segurança pública. É um uso eleitoreiro”, completou.

Já o deputado Lucas Redecker (PSDB-RS), favorável à redução da maioridade penal, defendeu que adolescentes envolvidos com organizações criminosas se beneficiam da percepção de impunidade.

“Eu acho que os adolescentes 16 a 18 anos, que muitas vezes são os ponta de lança dos crimes de facções criminosas e de forma independente, justamente por não terem a questão da punibilidade da maneira que deveriam ter, cometem esses crimes”.

Tema já havia sido discutido na PEC da Segurança Pública

A redução da maioridade penal chegou a ser incorporada durante as discussões da PEC da Segurança Pública, proposta apresentada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O dispositivo, entretanto, acabou retirado antes da votação do texto principal.

Na ocasião, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), defendeu que o assunto fosse tratado separadamente. O argumento utilizado foi o de que a inclusão da redução da maioridade penal poderia comprometer a tramitação da PEC da Segurança Pública no Senado.

Com a aprovação na CCJ, a proposta ganha novo impulso no Congresso Nacional, mas ainda terá um longo percurso legislativo antes de uma eventual mudança nas regras constitucionais sobre responsabilização penal de adolescentes.

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Lula assina decreto de regulamentação do Estatuto da Segurança Privada: “Estabelecimento da dignidade profissional”

 

Regulamentação promove a valorização dos profissionais da área e reforça a atuação da Polícia Federal no combate às empresas clandestinas
Publicado em 09/06/2026 18h50
Estatuto da Segurança Privada

O decreto traz inovações importantes ao criar requisitos operacionais mínimos para o funcionamento das empresas, como a definição de um número mínimo de vigilantes por atividade. Foto: Ricardo Stuckert / PR

Opresidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou nesta terça-feira, 9 de junho, o decreto de regulamentação do Estatuto da Segurança Privada. A medida estabelece regras e procedimentos relativos à autorização, ao controle e à fiscalização dos serviços de segurança privada e da segurança das instituições financeiras.

Esse ato é o estabelecimento da dignidade profissional às pessoas que trabalham no país. Com esse decreto, vamos dar a vocês a civilidade que todo trabalhador precisa, dar a cidadania para vocês andarem de cabeça erguida, não sendo tratados como clandestinos”
Luiz Inácio Lula da Silva
Presidente da República

Em cerimônia no Palácio do Planalto, Lula ressaltou que a regulamentação representa um avanço no reconhecimento e na valorização dos profissionais da área. “Esse ato é o estabelecimento da dignidade profissional às pessoas que trabalham no país. Com esse decreto, vamos dar a vocês a civilidade que todo trabalhador precisa, dar a cidadania para vocês andarem de cabeça erguida, não sendo tratados como clandestinos”, afirmou.

“O que hoje vocês estão recebendo é uma premiação à luta de vocês, é reconhecimento de que vocês não são estorvos na segurança pública, vocês fazem um processo de complementaridade à segurança pública neste país. E quanto mais respeitados vocês forem, quanto mais bem tratados vocês forem, quanto mais segurança vocês tiverem nos seus contratos de trabalho e quanto melhor for o salário de vocês, mais vocês irão contribuir com o conjunto da segurança pública neste país”, completou Lula.

O novo decreto atualiza as diretrizes do setor, substituindo a legislação anterior, datada de 1983, que se encontrava desatualizada, possuía diversas lacunas e era frequentemente alvo de judicialização.

POLÍCIA FEDERAL — Um dos focos do governo com a regulamentação é combater o número expressivo de empresas clandestinas que operam sem autorização da Polícia Federal, o que representa um grave risco à população devido ao uso indiscriminado de armas e outros equipamentos controlados.

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, apontou que, com a regulamentação, a previsão é de que o número de empresas do setor salte de quase 7 mil para mais de 17 mil empresas, que empregarão cerca de 1 milhão de pessoas. “Mais do que ampliar o escopo, o normativo organiza o setor, confere previsibilidade, reduz litígios e cria um ambiente mais seguro para as empresas, trabalhadores e, sobretudo, para a sociedade brasileira. Um dos pilares centrais desse novo modelo é o fortalecimento da atuação da Polícia Federal”, destacou.

AVANÇOS — Durante a solenidade, o presidente da Federação Nacional das Empresas de Segurança e Transporte de Valores, Jeferson Furlan Nazário, reforçou os avanços da legislação. “Vamos nos aproximar ainda mais das forças de segurança pública, oferecendo ajuda com tecnologia de ponta e profissionais capacitados para auxiliá-la”, assinalou. 

O deputado distrital Chico Vigilante afirmou que a regulamentação consolida o reconhecimento da categoria. “Esse projeto coloca a vigilância definitivamente na legalidade. A gente deixou de ser os ‘guardinhas’ e passou a ser os vigilantes deste país”, declarou. 

SERVIÇOS — Aprovada inicialmente pela Lei de 2024, a nova abrangência da segurança privada ganha agora contornos definitivos. Antes restrita prioritariamente à vigilância patrimonial e ao transporte de valores, a atividade passa a englobar oficialmente:

  • Gerenciamento de riscos nas operações de transporte

  • Segurança pessoal

  • Formação de profissionais de segurança privada

  • Monitoramento de sistemas eletrônicos de segurança

NOVAS EXIGÊNCIAS — O decreto traz inovações importantes ao criar requisitos operacionais mínimos para o funcionamento das empresas, como a definição de um número mínimo de vigilantes por atividade e exigências de infraestrutura, incluindo garagens, cofres e sistemas de comunicação

O texto também inova ao:

  • Exigir provisão financeira ou seguro-garantia para a operação das empresas

  • Estabelecer regras rigorosas sobre a circulação de carros-fortes (itinerários e horários) e prazos definidos para a comunicação de crimes

  • Detalhar o regime de produtos controlados e armas de fogo, impondo exigências físicas de armazenamento e procedimentos rígidos para alienação e destruição de armamentos

  • Criar o "termo de compromisso de conduta", um mecanismo que permite a suspensão de processos punitivos mediante o cumprimento de obrigações e pagamento de multas

DIREITOS TRABALHISTAS — O marco regulatório também afasta o antigo estigma de atividade "paramilitar", integrando a segurança privada como uma atividade "complementar" à segurança pública, devendo ser exercida com rigor e transparência. A partir de agora, gestores, vigilantes e operadores de sistemas serão amplamente amparados por direitos trabalhistas e representados por entidades associativas.

Justiça e Segurança
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terça-feira, 9 de junho de 2026

Adolescentes em conflito com a lei poderão ser internados por 10 anos, aprova CSP

 




Da Agência Senado | 09/06/2026, 12h50

Adolescentes que cometerem atos infracionais com violência ou grave ameaça à pessoa, ou análogos a crimes hediondos, poderão ficar internados por até dez anos, se virar lei o projeto aprovado nesta terça-feira (9) pela Comissão de Segurança Pública (CSP).

O texto também amplia de três para cinco anos o prazo máximo de internação nos demais casos e acaba com a liberação compulsória aos 21 anos de idade. O Projeto de Lei (PL) 2.953/2023, do senador Marcos do Val (Podemos-ES), recebeu substitutivo do senador Marcio Bittar (PL-AC) e segue para análise terminativa da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

A proposta altera o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) para endurecer as regras de apreensão e internação. Entre as mudanças, determina que adolescentes apreendidos em flagrante sejam submetidos a audiência de custódia em até 24 horas.

O juiz poderá negar a liberação em casos de reincidência, porte de arma de fogo ou quando houver indícios de prática habitual de atos infracionais.

Internação maior

O texto também modifica as regras da internação provisória. Atualmente limitada a 45 dias, a medida passará a depender de revisão judicial a cada 90 dias.

Outra alteração prevê que jovens que atingirem a maioridade durante o cumprimento da medida socioeducativa sejam transferidos para unidades específicas, separadas dos demais adolescentes e distintas dos estabelecimentos prisionais destinados a adultos.

Gravidade dos atos

Durante a discussão da matéria, o senador Fabiano Contarato (PT-ES) afirmou que a medida tem objetivo de adequar a resposta do sistema socioeducativo à gravidade dos atos praticados.

— Se ele praticou um ato infracional, a medida socioeducativa de internação tem que estar de acordo com o grau de lesividade e com o bem jurídico violado. Não é razoável que atos de extrema gravidade tenham como limite três anos de internação — argumentou Contarato, que é autor do Projeto de Lei (PL) 1.473/2025, com teor semelhante, aprovado pela CCJ em outubro do ano passado e já enviado à Câmara dos Deputados.

Para o senador Sergio Moro (PL-PR), o prazo atual é insuficiente nos casos mais graves.

— O que não dá para admitir é uma internação de três anos para alguém que comete um crime hediondo. É preciso uma resposta proporcional à gravidade desses atos — afirmou.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado