domingo, 16 de novembro de 2025

Riscos vividos pelos servidores em cumprimento de atividade externa podem ser reconhecidos

 


14 de Novembro de 2025 18:49:46

A Federação Nacional dos Trabalhadores do Judiciário nos Estados - FENAJUD conquistou avanço importante na Câmara dos Deputados, em Brasília, para a aposentadoria de trabalhadores da Justiça no Brasil. Atendendo a pedido da Federação, a Deputada Federal Alice Portugal (PCdoB/BA) apresentou o Projeto de Lei 5315/2025, que reconhece como atividade de risco permanente as categorias que exercem atividade externa nos Tribunais.

São beneficiários do PL as assistentes sociais judiciais, comissários da infância e da juventude, psicólogos judiciais, pedagogos judiciais, agentes de segurança e polícia judicial. A proposta cria mecanismos de proteção e endurece o tratamento penal contra crimes praticados contra esses profissionais e seus familiares, quando motivados pelo exercício da função.

A proposição foi articulada pela FENAJUD junto à deputados federais e representantes de servidores da justiça no país. No dia 15 de outubro, os coordenadores Eduardo Couto e Luiz Otávio participaram de uma reunião na Consillium, com Thiago Queiroz, Enrico Monteiro e Carolina Marques, onde a apresentação do projeto de lei foi discutida.

A aprovação do Projeto de Lei pode ser um avanço para fins previdenciários, possibilitando a concessão da aposentadoria especial para os servidores abrangidos pela proposta. “Quando há uma lei que reconhece atividade de risco, temos uma boa parte do caminho para a obtenção da aposentadoria especial já percorrido”, explica Alessandra Magda Vieira Gaspar, advogada do escritório Diego Leonel Advogados e Associados. 

Ela complementa, contudo, que não exime a categoria da apresentação da documentação necessária para comprovação da atividade de maneira individualizada, por meio de Perfil Profissiográfico Previdenciário (PPP) e Laudo Técnico de Condições Ambientais do Trabalho (LTCAT), uma vez que a legislação previdenciária não permite mais o enquadramento por categoria profissional, sendo necessário comprovar a exposição à atividade especial.

A matéria aguarda despacho para as comissões permanentes, que devem ser a Comissão de Administração e Serviço Público (CASP), a Comissão de Indústria, Comércio e Serviços (CICS) e a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC). No link abaixo, é possível opinar sobre o projeto clicando no ícone disponível no canto superior direito da tela, onde consta o ícone com a expressão: "O que você acha disso?".

Acompanhe a tramitação do Projeto de Lei 5315/25 na Câmara

 

Risco na atuação profissional 

No Tribunal da Justiça de Minas Gerais (TJMG), estão entre os cargos mais expostos aos riscos os assistentes sociais, comissários da infância e da juventude, psicólogos e oficiais de justiça. Ir a campo para colocar em prática as ordens judiciais aproxima os servidores de situações de ameaça, contato com drogas e armas, brigas e demais situações perigosas. 

Em denúncia à situação, o SERJUSMIG elaborou uma série de reportagens sobre os riscos do serviço externo na Justiça, com relatos dos perigos vividos por estes servidores.

Acesse à série de reportagens “Diligência Externa: Uma jornada de risco e violência”

 

Proteção aos trabalhadores no PL

O texto altera o Código Penal para agravar as penas de homicídio e lesão corporal dolosa quando as vítimas forem esses servidores, além de incluir tais crimes entre os hediondos, modificando a Lei dos Crimes Hediondos.

O PL ainda altera a Lei 12.694/2012, ampliando o rol de medidas de proteção pessoal, como escolta, colete balístico, veículo blindado, remoção provisória e trabalho remoto, garantindo prioridade e sigilo na análise dos pedidos.

Além disso, modifica a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais para reforçar a proteção de dados pessoais desses servidores, prevendo comunicação obrigatória e urgente em caso de vazamentos e multa em dobro para infrações envolvendo seus dados.

 

SERJUSMIG
Unir, Lutar e Vencer

sábado, 15 de novembro de 2025

Relatório do Ministério da Saúde e OMS alerta: 1 em cada 12 hospitais do mundo tem risco de paralisação por causas relacionadas ao clima

 

Documento lançado na COP30 mostra que a emergência climática já afeta diretamente a saúde da população e faz um apelo a implementação do Plano de Ação em Saúde de Belém
Publicado em 14/11/2025 14h11Atualizado em 14/11/2025 14h35
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Foto: Rafa Pereira/COP30

Oaumento das temperaturas e o colapso de sistemas de saúde estão custando cada vez mais vidas, segundo relatório divulgado nesta sexta-feira (14) durante a COP30 pelo Ministério da Saúde do Brasil e Organização Mundial da Saúde (OMS). As mudanças climáticas já desenham uma emergência global de saúde: mais de 540 mil pessoas morrem por calor extremo a cada ano, e um em cada 12 hospitais no mundo corre risco de paralisação por causas relacionadas ao clima.

O Relatório Especial da COP30 “Saúde e Mudanças Climáticas: Implementando o Plano de Ação em Saúde de Belém” faz um apelo por ações imediatas e coordenadas para proteger a saúde em um planeta que aquece rapidamente. O documento dá sequência ao lançamento do Plano de Ação em Saúde de Belém, iniciativa do Ministério da Saúde do Brasil, apresentado no dia 13/11. É o primeiro plano internacional de adaptação climática dedicado exclusivamente à saúde, um marco da COP30, e que já conta com adesão de mais de 80 países e instituições.

"Com a publicação deste relatório, o Brasil e a OMS reafirmam a importância da COP30 como a COP da Verdade. O relatório comprova – com dados e evidências – que as mudanças climáticas já impactam diretamente os sistemas de saúde em todo o mundo", afirma o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. "As tragédias recentes mostram que este é o momento de implementar medidas contra o impacto das mudanças climáticas na saúde. O Plano de Ação em Saúde de Belém e este relatório oferecem aos países as ferramentas necessárias para transformar evidências científicas em ações concretas”, destacou.

“A crise climática é uma crise de saúde – não em um futuro distante, mas aqui e agora”, afirmou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus. “Este relatório traz evidências sobre os impactos das mudanças climáticas nas pessoas e nos sistemas de saúde, além de exemplos concretos do que os países já estão fazendo – e podem fazer – para proteger vidas e fortalecer seus sistemas de saúde.”

Com as temperaturas globais 1,5°C acima dos níveis pré-industriais, o planeta já vive impactos crescentes sobre a saúde. O relatório afirma que entre 3,3 e 3,6 bilhões de pessoas vivem hoje em áreas altamente vulneráveis às mudanças climáticas e os hospitais enfrentam 41% mais risco de danos causados por eventos climáticos extremos do que em 1990. O que reforça a urgência de fortalecer e adaptar os sistemas de saúde para proteger as comunidades dos impactos climáticos.

Sem uma rápida descarbonização, o número de unidades de saúde ameaçadas pode dobrar até meados do século, o que evidencia a importância de medidas de adaptação para proteger a infraestrutura de saúde. O próprio setor da saúde é responsável por cerca de 5% das emissões globais de gases de efeito estufa e precisa acelerar sua transição para sistemas de baixo carbono e resilientes ao clima.

O relatório identifica lacunas críticas que exigem atenção imediata. Apenas 54% dos planos nacionais de adaptação em saúde avaliam riscos às unidades de saúde; menos de 30% dos estudos consideram renda, 20% abordam gênero, e menos de 1% incluem pessoas com deficiência.

“As evidências são claras: proteger os sistemas de saúde é um dos investimentos mais inteligentes que um país pode fazer”, destacou Nick Watts, diretor do Centro de Medicina Sustentável da Universidade Nacional de Singapura (NUS) e presidente do grupo de especialistas que orientou o relatório. “Destinar apenas 7% dos recursos de adaptação à saúde permitiria salvar bilhões de vidas e manter serviços essenciais funcionando durante choques climáticos – justamente quando as pessoas mais precisam.”

Há avanços. Entre 2015 e 2023, o número de países com Sistemas Nacionais de Alerta Precoce Multirrisco dobrou para 101, cobrindo dois terços da população mundial. No entanto, apenas 46% dos países menos desenvolvidos e 39% dos pequenos Estados insulares em desenvolvimento contam com sistemas eficazes.

A mensagem central do relatório é clara: já há evidências suficientes para agir em larga escala. Intervenções eficazes, de baixo custo e alto impacto existem para cada um dos eixos do Plano de Ação em Saúde de Belém.

O documento conclama os governos a:

  • Integrar objetivos de saúde às Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) e aos Planos Nacionais de Adaptação (NAPs);
  • Utilizar as economias geradas pela descarbonização para financiar a adaptação em saúde e capacitar profissionais;
  • Investir em infraestrutura resiliente, priorizando unidades de saúde e serviços essenciais;
  • Empoderar comunidades e o conhecimento local na formulação das respostas que reflitam as realidades vivenciadas.

O Governo do Brasil também lançou um relatório complementar, intitulado “Participação Social, Clima e Saúde: Relatório Especial para Apoiar a Implementação do Plano de Ação em Saúde de Belém”, que destaca a importância da governança, da participação social e do engajamento comunitário como dimensões essenciais do plano. O documento alerta que as mudanças climáticas representam riscos profundos para a saúde humana, especialmente para populações vulneráveis e historicamente marginalizadas, e que a adaptação efetiva depende da participação ativa das comunidades na formulação, execução e monitoramento das políticas de saúde.

Para a pesquisadora, autora e fundadora da ONG Criola, Lúcia Xavier, uma das colaboradoras do relatório, o documento representa um passo importante para ampliar a participação social nas decisões de saúde. “O Plano de Saúde de Belém é uma oportunidade de fortalecer de fato a participação das comunidades. Queremos que as experiências dos territórios, especialmente de afrodescendentes, povos indígenas, mulheres e pessoas de diferentes identidades de gênero, sejam incorporadas em todas as etapas: no acesso às informações, na tomada de decisões, nos investimentos e na capacidade de influenciar os rumos das políticas. É fundamental construir uma relação de confiança entre governo e sociedade para garantir mais equidade nas ações de saúde”, afirma a pesquisadora.

Juntos, os dois relatórios apresentam caminhos complementares para colocar em prática os objetivos do Plano – um com foco em evidências e implementação, outro em participação inclusive e liderança entre sociedades.

Sobre o Plano de Ação em Saúde de Belém

O Plano de Ação em Saúde de Belém lançado pelo Ministério da Saúde do Brasil e um dos principais resultados da Presidência do Brasil na COP30, se baseia em dois princípios transversais: equidade em saúde e justiça climática, e liderança e governança em saúde e clima, com participação social.

O plano define três linhas de ação para fortalecer sistemas de saúde resilientes ao clima:

  • Vigilância e monitoramento focados no fortalecimento da vigilância integrada e informada pelo clima; 
  • Políticas baseadas em evidências, estratégias e capacitação para ampliar a capacidade de sistemas nacionais e locais de implementar soluções eficazes e equitativas; 
  • Inovação, produção e saúde digital que promovam a pesquisa, desenvolvimento e acesso a tecnologias que atendam às necessidades de diferentes populações.

O Relatório Especial da COP30 foi elaborado sob orientação de um grupo internacional de especialistas em saúde pública global, coordenado pelo Centro de Medicina Sustentável da NUS e liderado pela OMS e pelo Ministério da Saúde. Com base em mais de 70 estudos de caso de todo o mundo, o documento apresenta exemplos práticos de intervenções que já estão dando resultados – de sistemas de alerta precoce e hospitais verdes a planejamento de saúde informado pelo clima e financiamento sustentável.

Acesse o Relatório

Informações para a imprensa:

Ministério da saúde:WHO: Ministério da Saúde

Saúde e Vigilância Sanitária
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sexta-feira, 14 de novembro de 2025

Sistema Socieducativo em luto


 

Nota de Pesar.


Mais um amigo que se vai.


É com profundo pesar que informamos o falecimento do servidor Igor Ferreira de Lima, ocorrido nesta sexta-feira, 14 de novembro de 2025. Agente de segurança socioeducativa, Igor iniciou sua trajetória profissional em 2012 , servidor dedicado, respeitado e estimado por todos os colegas.


Sua partida precoce deixa um legado de compromisso, responsabilidade, humanidade e amizade que permanecerá vivo na memória de todos.


Neste momento de imensa dor, manifestamos nossas mais sinceras condolências aos familiares, amigos e colegas de trabalho, solidarizando-nos com todos que compartilham desta perda irreparável.


A homenagem de despedida ocorrerá neste sábado, 15 de novembro, com início às 09h30. O sepultamento será realizado às 11h45, no Cemitério de Nova Iguaçu, localizado na Rua Ataide Pimenta de Morais, S/N. – Centro, Nova Iguaçu – RJ.


O SIND-DEGASE registra sua profunda solidariedade e presta seu apoio a todos os familiares e amigos.


*“Combati o bom combate, terminei a carreira, guardei a fé.” — 2 Timóteo 4:7*

quinta-feira, 13 de novembro de 2025

Deputado faz projeto de lei que permite professores e médicos usarem armas em escolas e hospitais da rede estadual do Rio

 

O deputado Alexandre Knoploch (PSL) justificou a proposta pelo aumento de casos de agressões a esses profissionais
Alexandre Knoploch (PSL) Foto: Reprodução
Alexandre Knoploch (PSL) Foto: Reprodução

RIO — O deputado Alexandre Knoploch (PSL) protocolou nesta quinta-feira um projeto de lei que, se aprovado, concede direito a porte de arma funcional a professores e médicos concursados da rede pública estadual.  Segundo a proposta, o profissional teria que declarar a necessidade do uso da arma e caberia às secretarias de Saúde e Educação realizar convênios com as autoridades policiais para o treinamento dos médicos e professores. A informação foi antecipada pelo colunista Ancelmo Gois.

Na justificativa do projeto, Knoploch cita dois artigos do Código penal que legislam sobre a legítima defesa e o Excludente de ilicitude. Ao longo do texto o deputado ainda cita o depoimento de dois professores da rede pública. Um do Rio e outro da cidade de Lins, interior de São Paulo, que sofreram agressões de alunos.

"Diante de evidências das agressões que acometem essas duas classes profissionais tão relevantes é que esse Projeto autoriza que esses bravos profissionais possam ter porte de arma em seus locais de trabalho, com o único intuito de legítima defesa, jamais de ataque.", diz Knoploch no projeto, pedindo em seguida a aprovação desta "importante matéria" para o Rio.

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Para ter acesso ao armamento, o médico ou professor ainda teria que passar por etapas de comprovação de capacidade técnica e de aptidão psicológica para o manuseio de arma de fogo.

O projeto agora precisa ser avaliado por cinco comissões dentro da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), entre elas pela Constituição e Justiça. Para o advogado Antônio Galvão, presidente da Comissão Especial para Estudos Sobre Legislação do Porte de Armas da OAB- Rio, o projeto é inconstitucional porque apenas a União pode legislar sobre o tema:

— O artigo 22 da Constituição diz que apenas a União pode legislar sobre normas que envolvam material bélico. O estado não pode autorizar outras categorias a ter o porte de armas.

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A antropóloga e professora do Departamento de Segurança Pública da Universidade Federal Fluminense (UFF) Jacqueline Muniz também critica a proposta:

— Este projeto frágil se trata de um oportunismo de mercado, um marketing pessoal em buscas de doações para a próxima campanha. Não é uma projeto para contribuir com a segurança — afirma.

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Procurado, o deputado Alexandre Knoploch afirmou que médicos e professores são vítimas constantes atos de violência e precisam ter o direito de se defender.

— O parlamento é o lugar do debate. Esse projeto tem justamente essa finalidade, de chegarmos a uma linha de raciocínio mais clara de como tratar os atos criminosos cometidos contra professores e médicos. Essas categorias sofrem inúmeras violências por terem poder de defesa menor que seu agressor — conta.

Knoploch também defende que o projeto não é inconstitucional:

— Existe uma Comissão de Constituição e Justiça que debate isso, da qual sou membro. Mas vale lembrar que a lei federal no que tange ao porte de arma cita leis complementares. Recentemente, a Alerj aprovou o porte de armas para os agentes do Degase, que não são militares. Claro que existem outros projetos jurídicos no qual nós respeitamos. E o projeto vai amadurecer, vão ter audiências para chegar à conclusão de qual a melhor forma de enfrentar esse triste episódio de violência contra esses profissionais