quarta-feira, 18 de março de 2026

Cuidando de quem Cuida”: 350 funcionários da Fundação Casa, no Brás (SP), são alcançados

 


Saiba como foi a iniciativa organizada pelo Universal Socioeducativo (USE)

Imagem de capa - “Cuidando de quem Cuida”: 350 funcionários da Fundação Casa, no Brás (SP), são alcançados

Há pouco tempo, cerca de 350 funcionários da Fundação Casa participaram de uma ação especial voltada ao cuidado emocional e espiritual de quem atua diretamente com adolescentes em cumprimento de medidas socioeducativas.

Intitulado “Cuidando de quem Cuida”, o encontro foi realizado em um auditório do Complexo do Brás, em São Paulo, reunindo colaboradores das cinco unidades existentes no local.

Vale destacar que, embora ações com esse tema já sejam realizadas periodicamente a cada três meses em unidades individuais da Fundação Casa, esta foi a primeira vez que o projeto aconteceu em formato ampliado, reunindo funcionários de todo um complexo.

Nesse sentido, a expectativa é levar a iniciativa para outros locais no futuro, ampliando ainda mais o alcance da ação.

Como foi a ação

Promovida pelo programa social Universal Socioeducativo (USE), a iniciativa teve duração de três horas e meia e contou com a atuação de 15 voluntários.

Na oportunidade, o evento ofereceu assistência espiritual, momentos de reflexão, além de um café da manhã preparado especialmente para os participantes.

Valorização profissional

O principal objetivo da ação “Cuidando de quem Cuida” foi valorizar os profissionais que lidam diariamente com situações desafiadoras e, muitas vezes, emocionalmente desgastantes.

Dessa forma, segundo os organizadores, muitos desses trabalhadores acabam absorvendo os problemas enfrentados pelos jovens internos, o que pode impactar sua saúde mental e espiritual, bem como a qualidade de vida desses profissionais.

Durante o encontro, foi transmitida uma mensagem de fé baseada no Salmos 127:1-2, destacando a importância de colocar Deus à frente de todas as áreas da vida.

“Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam; se o Senhor não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela. Inútil vos será levantar de madrugada, repousar tarde, comer o pão de dores, pois assim dá ele aos seus amados o sono.”

Assim, por meio das Escrituras Sagradas, incentivaram os participantes a entregarem suas preocupações e necessidades a Deus, reconhecendo que, sem essa base espiritual, o trabalho e os esforços podem se tornar ainda mais difíceis.

  • Além da reflexão espiritual, foram distribuídas 56 exemplares da “Bíblia Sagrada com Anotações de Fé do Bispo Edir Macedo”  e 130 livros aos presentes, reforçando o apoio espiritual oferecido pela ação.

Comentário do Pastor responsável pelo USE

De acordo com Ricardo Steinbach, responsável pelo trabalho evangelístico do Universal Socioeducativo (USE) no País, iniciativas como essa são fundamentais para fortalecer a parceria entre a Universal e a Fundação Casa.

  • “Nosso objetivo é reconhecer o trabalho desses profissionais e mostrar que dependemos uns dos outros. Essa união é essencial para que o trabalho socioeducativo aconteça de forma eficaz”, destacou.

Experiência para quem participou

A experiência foi marcante inclusive para os próprios voluntários do USE, como garante Ivanildo Nascimento Vale.

  • “Foi gratificante participar do evento e ver os funcionários se confraternizando. Muitos pareciam não viver um momento como aquele há muito tempo. Percebi que eles entenderam que estamos ali não só para colaborar com o trabalho, mas que também nos importamos com o bem-estar deles e de suas famílias”, relatou.

terça-feira, 17 de março de 2026

TJSP anuncia reposição salarial de 3,5% em reunião com entidades representativas dos servidores

 


O Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP) anunciou, nesta semana, um índice de 3,5% de reposição salarial para os servidores do Judiciário paulista. A informação foi apresentada durante reunião da mesa de negociações que contou com a presença do presidente da AOJESP, Cássio Ramalho do Prado, além de representantes de outras entidades da categoria.

O encontro teve início com a participação do presidente do TJSP, desembargador Eduardo Francisco Loureiro, que permaneceu por cerca de 30 minutos na reunião acompanhado de sua assessoria. Após o debate inicial, Loureiro passou a condução da reunião ao desembargador Irineu Fava, que preside a mesa de negociações.

Também participaram da reunião, representando o Tribunal, os juízes assessores Airton Pinheiro de Castro e Gabriela Fragoso Calasso Costa, do Gabinete Civil da Presidência, Mônica Gonzaga Arnoni e Renato Siqueira de Pretto, da área de Recursos Humanos. Estiveram presentes ainda as diretoras Vanessa Cristina Martiniano, da Secretaria de Gestão de Pessoas (SGP), e André Laursen Pavani, da Secretaria de Orçamento e Finanças (SOF).

Durante a reunião, representantes da SGP e da SOF apresentaram um panorama das contas do Tribunal e informaram o índice de 3,5% de reposição salarial. 

Na explanação, os secretários também destacaram que o TJSP implantará o “Descongela”, que foi sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, propiciando aos servidores um ganho adicional de 1,27%. Disseram ainda que com a aprovação do projeto do Adicional de Qualificação (AQ), ainda sem data, a recomposição estimada será de 2,31%.

Ainda na apresentação, a diretora Vanessa Martiniano informou que o auxílio-transporte passará a ser de R$ 18,80, valor correspondente à tarifa de integração na capital paulista. Até então, o benefício era calculado com base na tarifa mais alta do transporte público no estado.

Durante a rodada de manifestações, José Gozze, presidente da Fespesp, da Assetj e da Central Pública, criticou o percentual anunciado, classificando-o como insuficiente diante das perdas acumuladas.

Segundo ele, os efeitos da pandemia não podem continuar impactando negativamente os salários dos servidores. “É um índice baixíssimo. Uma reposição de 3,5% é praticamente nada”, afirmou.

O presidente da AOJESP, Cássio Ramalho do Prado, também destacou que o índice apresentado não representa uma recomposição salarial efetiva. Em sua fala, Cássio mencionou o planejamento estratégico do TJSP até 2032, recentemente publicado no Diário da Justiça Eletrônico (DEJESP), e sugeriu que o Tribunal avalie a possibilidade de um escalonamento para pagamento de valores atrasados, caso não seja possível quitá-los imediatamente. “Entendemos que esse ganho não representa recomposição salarial, como já destacou o Gozze. Sabemos das dificuldades, mas poderia haver um esforço para alcançar um índice melhor. Talvez um estudo que permita recompor essas perdas gradualmente”, afirmou.

O dirigente também alertou que alguns dos ganhos mencionados ainda são incertos. “A simples aprovação na Assembleia Legislativa não garante a vigência do AQ. Ainda é necessária a sanção do governador. Esperamos que haja convencimento para que isso ocorra, mas não sabemos quando. Portanto, esse ganho ainda é incerto e não pode ser computado como algo efetivo”, pontuou.

Por fim, Cássio pediu que o Tribunal reconsiderasse o índice anunciado e avaliasse a possibilidade de dar alguma porcentagem a mais.

Após amplo debate entre as entidades e os representantes do Tribunal, o desembargador Irineu Fava afirmou que levará à Presidência do TJSP a possibilidade de ampliar o índice de reposição salarial em mais 1%, o que poderia elevar o reajuste para 4,5%. 

O magistrado explicou, no entanto, que não possui autonomia para tomar essa decisão, cabendo a deliberação final ao presidente do TJSP. O secretário da SOF complementou dizendo que esta fração representaria cerca de R$ 74 milhões a mais. 

O juiz assessor da Presidência, Airton Pinheiro de Castro, tentou falar com o presidente do TJSP por telefone, mas não conseguiu contato. As entidades fizeram uma contraposta de 5%, “para arredondar, porque 3,5% é nada!”. Airton disse que acredita que pode chegar nos 4,5%, mas que nos 5% não conseguiria chegar. Ele disse que levará o assunto ao presidente.

Questionados se haveria a possibilidade de entrar na folha de março, com pagamento em abril, Vanessa esclareceu que se a decisão vier até 20 de março é possível.

Durante a reunião, o juiz assessor da Presidência Airton Pinheiro de Castro informou que o TJSP atuará junto à Assembleia Legislativa de São Paulo (ALESP) para aprovação do projeto do AQ ainda este mês.

A mesa de negociações deverá continuar debatendo as demandas da categoria nas próximas reuniões, em especial a pauta prioritária já aprovada em assembleia da categoria.

Folhateen mostra o cotidiano dos jovens que vivem na Fundação Casa; veja vídeos


  • Série Juventude Sob Custódia ouve os adolescentes que cumprem medias socioeducativas no local
  • Meninos e meninas seguem rotina rígida com aulas, atividades físicas e cursos profissionalizantes
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São Paulo

Nas últimas semanas, dois casos violentos supostamente envolvendo menores de idade —o caso Orelha e o estupro coletivo de uma jovem de 17 anos no Rio de Janeiro— reacenderam o debate sobre a punição de adolescentes.

Pela legislação brasileira, menores de 18 anos não cumprem pena em presídios; eles são submetidos a medidas socioeducativas, que vão de advertência à internação por até três anos. Em São Paulo, os jovens em regime fechado são encaminhados à Fundação Casa.

Por isso, o Folhateen decidiu visitar dois centros de detenção para entender como é a vida desses jovens no local.

Episódio 1: Como vivem as adolescentes privadas de liberdade

Folha passou um dia com adolescentes sob custódia do Estado para mostrar como é a rotina no único centro feminino da capital paulista, onde 47 meninas vivem em quartos compartilhados, entre salas de aula, quadra de esportes, grades e cadeados.

Episódio 2: Como é a vida de uma mãe de 14 anos na Fundação Casa

Folha ouviu o relato de uma adolescente de 14 anos que cumpre internação no Pami (Programa de Acompanhamento Materno-Infantil), unidade especializada da Fundação Casa e a única do estado de São Paulo destinada a mães adolescentes. Atualmente, ela é a única mãe na única unidade. O bebê nasceu há oito dias.

Episódio 3: Fundação Casa parece mais uma escola ou presídio?

No terceiro episódio da série Juventude Sob Custódia, a Folha foi a uma unidade masculina da Fundação Casa, na cidade de São Paulo.

Atrás de muros altos, grades e arame farpado, 48 meninos seguem uma rotina rígida. As aulas acontecem pela manhã. Antes do almoço, eles se sentam no chão do pátio e aguardam a vez de entrar no pequeno refeitório, onde comem em silêncio, virados para a parede.

À tarde, fazem atividades físicas com equipamentos improvisados ao som de rap e funk censurados. Também participam de cursos profissionalizantes. "Aprendi a ler e escrever aqui. Aqui não é ruim", diz um dos adolescentes.

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