Trabalhadores dos Correios estão em greve desde 10 de setembro; TST analisa nesta segunda a legalidade da paralisação e as reivindicações

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Florianópolis

Van dos CorreiosO TST analisa nesta segunda-feira os rumos da greve dos CorreiosFoto: Correios do Brasil/@correiosoficial/Instagram

O TST (Tribunal Superior do Trabalho) julga nesta segunda-feira (21) o dissídio coletivo da greve dos Correios, iniciada no dia 10 de setembro. A decisão deve analisar a legalidade da paralisação e as reivindicações dos trabalhadores, que têm como principal ponto de divergência a mudança no plano de saúde.

A proposta dos Correios pode alterar a forma de custeio do benefício e aumentar os descontos nos salários dos empregados. Enquanto o julgamento não acontece, a Justiça determinou que 80% do efetivo seja mantido em cada unidade ou estabelecimento da empresa durante a greve.

Greve dos Correios tem plano de saúde como principal impasse

O julgamento está marcado para as 13h30 desta segunda-feira. Os Correios acionaram a Justiça no dia seguinte ao início da greve, pedindo que a paralisação fosse considerada abusiva e que os serviços fossem mantidos.

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A principal divergência entre trabalhadores e empresa envolve o plano de saúdeFoto: Correios do Brasil/@correiosoficial/InstagramA principal divergência entre trabalhadores e empresa envolve o plano de saúdeFoto: Correios do Brasil/@correiosoficial/Instagram

Segundo Douglas Melo, diretor do Sintect-SP e da Findect, a principal reivindicação da categoria é manter o modelo atual do plano de saúde. Ele afirma que os trabalhadores não são contrários às demais propostas apresentadas pela empresa.

Atualmente, os Correios atuam como mantenedores do plano, assumindo a responsabilidade principal pelo custeio e pelos riscos da operação. Pela proposta apresentada, a estatal passaria a atuar apenas como patrocinadora, o que mudaria a forma de pagamento do benefício. A alteração pode resultar em valores maiores descontados dos salários dos empregados.

Como a greve dos Correios afeta as entregas

Mesmo com a determinação judicial para manter 80% do efetivo, consumidores e pequenos vendedores relataram atrasos em encomendas, falta de atualização no rastreamento e problemas relacionados a pedidos de reembolso do frete.

Os Correios afirmam que adotaram medidas para reduzir os impactos da paralisaçãoFoto: Reprodução/Correios/ND MaisOs Correios afirmam que adotaram medidas para reduzir os impactos da paralisaçãoFoto: Reprodução/Correios/ND Mais

Os Correios afirmaram à Folha que as agências permanecem abertas e que a empresa colocou em prática um plano de ação para reduzir os efeitos da paralisação. A medida inclui a mobilização de servidores administrativos para auxiliar nas atividades operacionais e mutirões de entrega.

Crise financeira aumenta pressão sobre os Correios

A greve acontece enquanto a estatal tenta colocar em prática um plano de reestruturação financeira. No segundo trimestre, os Correios registraram prejuízo de R$ 2,4 bilhões.

A empresa também formalizou um pedido de garantia do Tesouro Nacional para contratar um novo empréstimo de R$ 7 bilhões com bancos privados. Em dezembro de 2025, os Correios já haviam contratado um empréstimo de R$ 12 bilhões. Outro ponto da reestruturação é um novo PDV (Plano de Demissão Voluntária), aberto no fim de agosto para funcionários de unidades incluídas no programa.

O que acontece agora?

Além do julgamento do TST nesta segunda, o plano de saúde dos trabalhadores dos Correios também está envolvido em outra disputa judicial. O STF começou nesta sexta-feira a analisar o mérito de cláusulas de um acordo firmado após a greve do fim de 2025.

Em janeiro deste ano, uma decisão provisória do STF havia suspendido quatro cláusulas desse acordo, incluindo a que tratava do plano de saúde. O julgamento de mérito tem previsão de decisão até 25 de setembro.

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Leandra da Luz

Leandra da Luz Repórter

Leandra da Luz é repórter do Núcleo Nacional do ND Mais, onde atua na cobertura jornalística de política, justiça e economia no Brasil. Formada em jornalismo pela Unisul (Universid

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