Senadores não analisaram três trechos do texto da proposta em separado, chamados destaques. Por este motivo, a proposta não poderá ser votada no plenário do Senado nesta quarta.
Por Gabriella Soares, Caetano Tonet, g1 — Brasília
Com seis meses de atraso, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aprovou a proposta de emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública nesta quarta-feira (2). A votação foi simbólica, em que os votos não são contados nominalmente.
No entanto, os senadores encerraram a reunião sem analisar três trechos do texto da proposta em separado, os chamados destaques. Por este motivo, a proposta não poderá ser votada no plenário do Senado nesta quarta.
Uma das emendas destacadas, de autoria do senador Alessandro Vieira (MDB-SE), altera as regras previstas na PEC para as polícias municipais. O texto aprovado pela Câmara estabelece que essas corporações devem passar por uma acreditação periódica dos conselhos estaduais de Segurança Pública.
A emenda retira essa exigência e prevê que as polícias municipais deverão seguir uma padronização nacional, a ser definida em lei federal. Na prática, a proposta busca evitar que a atuação de um órgão municipal fique condicionada à avaliação periódica de uma instância estadual.
Outra mudança que ficou para ser analisada na próxima reunião é de autoria do senador Carlos Portinho (PL-RJ) se inclui expressamente os agentes de trânsito entre os órgãos de segurança pública previstos na Constituição.
MP das Blusinhas, fim da escala 6x1 e PEC da Segurança avançam
A proposta também atribui aos órgãos executivos e aos agentes de trânsito, desde que organizados em carreira própria, o patrulhamento viário de natureza policial de trânsito. Com a mudança, a categoria passaria a integrar formalmente o sistema de segurança pública previsto na Constituição.
Também de autoria de Portinho, uma outra emenda busca permitir o uso de recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) para financiar determinadas ações das Forças Armadas.
O dinheiro poderia ser empregado em ações de proteção e defesa civil, no combate a crimes transfronteiriços e ambientais na faixa de fronteira, no mar e em águas interiores e em operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO).
A emenda não prevê o financiamento da manutenção cotidiana das Forças Armadas com recursos do fundo, mas autoriza seu uso nessas operações específicas.
Tema prioritário para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a votação da PEC precisa ser concluída na CCJ para ir ao plenário do do Senado, onde ainda não tem data para começar a ser analisada.
O parecer do senador Rogério Carvalho (PT-SE) manteve o texto aprovado pela Câmara dos Deputados.
A estratégia é agilizar a aprovação final da proposta para que uma das promessas da campanha de 2022 de Lula possa ser alcançada: a criação do Ministério de Segurança Pública.
O presidente já disse que espera a aprovação da PEC para a criação do ministério e acordou a votação com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que segurava a proposta desde março.
Apesar da importância, o Senado não deve votar o texto no plenário neste momento. Os parlamentares estão em uma semana de esforço concentrado, com diversas propostas prioritárias para o governo. E o foco no momento é votar a PEC do fim da escala 6x1.
🔎 O Congresso não está de recesso, mas as atividades parlamentares praticamente pararam desde o começo do processo eleitoral. Nesse período, os parlamentares devem diminuir os compromissos de campanha para votar os temas. Eles retornam para as campanhas na próxima semana.
Sistema Único de Segurança Pública
A proposta estabelece na Constituição o Sistema Único de Segurança Pública (SUSP), cujo objetivo é integrar o combate ao crime organizado entre os entes.
De acordo com o texto, União, Estados e Distrito Federal poderão criar leis na área de segurança pública, incluindo forças-tarefa intergovernamentais, organização das polícias e guardas municipais e do sistema socioeducativo.
Segundo o relator, esse é um ponto central da PEC. "É preciso colocar os entes federados e as forças de segurança pública para colaborarem entre si, não para competirem", diz Carvalho em seu parecer.
Outro ponto central da PEC da Segurança Pública é sobre o combate a crimes violentos e facções criminosas.
Entre as medidas estão a obrigatoriedade de prisão em estabelecimento penal de segurança máxima ou de natureza especial.
Também fica proibida ou restringida a progressão de regime, a concessão de liberdade provisória, com ou sem fiança, e de saída temporária.
A PEC também permite a expropriação de todo e qualquer bem, direito ou valor econômico envolvido com as atividades criminosas. As regras valem para organizações criminosas, paramilitares e de milícia privada.
A proposta permite ainda:
- criação de polícias municipais para o policiamento ostensivo e comunitário;
- ampliação da atuação da Polícia Rodoviária Federal (PRF) para o policiamento de hidrovias e ferrovias, além de apoiar outras forças de segurança, quando requisitada pelo governador;
- manter Polícia Federal e PRF sob competência privativa da União, assim como as normas para atividades de inteligência.

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