Atualizado
As operadoras de planos de saúde registraram lucro operacional de R$ 5,6 bilhões no segundo trimestre, o que representa uma queda de 11% sobre o mesmo período do ano passado, segundo dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), que detalhou nesta tarde os números do setor.
O lucro líquido (métrica que considera os ganhos financeiros) somou R$ 10,9 bilhões, redução de 12%.
Considerando o acumulado do semestre, o lucro operacional somou R$ 9 bilhões, queda de 18,8%. Já o lucro líquido somou quase R$ 17 bilhões, retração de 10,5%.
Os indicadores do setor foram influenciados por efeitos não-recorrentes como a constituição de provisão técnica voluntária no valor de cerca de R$ 2,7 bilhões pela SulAmérica e um aporte na Postal (operadora de planos de saúde dos Correios), realizados no primeiro trimestre mas que ainda impactam no segundo trimestre. Entre abril e junho, houve ainda o impacto de uma reorganização societária de um grupo de saúde na área odontológica.
Ainda de acordo com dados da agência, 64% das operadoras apresentaram resultado positivo. “Esse resultado que mostra que 36% das operadoras, o equivalente a 232 operadoras, com prejuízo está dentro do patamar histórico de um terço”, disse Washington Oliveira Alves, gerente de habilitação e estudos de mercado da ANS.
As aplicações financeiras somaram R$ 142,3 bilhões, no segundo trimestre, avanço de 9,2% sobre um ano antes.
A receita do setor subiu 8,37% para R$ 201, 9 bilhões, no acumulado do semestre.
A taxa de sinistralidade ficou em 81,91%, alta de 0,76 ponto percentual.
A ANS também apresentou dados sobre a judicialização. No acumulado do semestre, essa despesa somou R$ 2,6 bilhões. “Apesar de algumas narrativas de que a judicialização está afetando a sustentabilidade do setor, não é isso que estamos vendo. Ainda estamos tentando entender as causas da judicialização, mas o setor está bem”, disse o Alves.
A Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde) informou que avalia que os resultados no fechamento do primeiro semestre de 2026 confirmam a recuperação do segmento aos níveis pré-pandemia, mas já indicam a estabilização dessa tendência e “apontam retração em indicadores cruciais”.
“Os resultados do primeiro semestre de 2026 mostram uma queda relevante de 12,2% no resultado líquido, puxada pela retração dos resultados operacionais das operadoras. Essa redução indica que a recuperação do setor ocorrida em 2025 começa a perder força. A margem operacional caiu de 3,9% para 3,2% no período, enquanto a margem líquida recuou de 7,7% no primeiro semestre de 2025 para 6,2% em 2026, sinalizando tendência de queda. Diante disso, as operadoras continuarão empenhadas no esforço constante para manter custos sob controle, combater desperdícios e assegurar a sustentabilidade do sistema”, afirma Bruno Sobral, diretor-executivo da FenaSaúde.
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