quinta-feira, 10 de setembro de 2026

NR 1 amplia desafios e reposiciona a Engenharia de Segurança do Trabalho


 

Por Lia Nara Bau / Jornalista da Revista Proteção – A atualização da NR 1 e o gerenciamento dos fatores de risco psicossociais têm colocado a Engenharia de Segurança do Trabalho no centro de novas discussões sobre prevenção, gestão e estratégia empresarial. O cenário também amplia a necessidade de profissionais qualificados e atualizados para atender às novas demandas de Segurança e Saúde no Trabalho (SST).

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Para a presidente da Anest (Associação Nacional de Engenharia de Segurança do Trabalho), Iva Barbosa, a mudança representa uma transformação na forma como as empresas enxergam a atuação desses profissionais.

“O mercado começa a compreender que a norma não se trata de cumprir uma mera exigência cartorial, mas de implementar um sistema vivo de gestão. Isso está aquecendo a demanda por profissionais qualificados, pois as organizações viram a necessidade de alinhar a prevenção de riscos à sua estratégia”, afirma.

Segundo Iva, o engenheiro de Segurança do Trabalho deixa, gradualmente, de ser visto apenas como o profissional responsável pelo cumprimento de exigências legais e passa a ocupar uma posição mais estratégica dentro das organizações.

Panorama e perspectivas

Dados do Sistema Confea/Crea citados pela presidente da Anest apontam que 83% dos profissionais registrados em Segurança do Trabalho atuam diretamente em sua área de formação. Segundo ela, o índice está entre os mais altos de aderência entre as diferentes áreas da Engenharia.

Nesse contexto, as perspectivas de atuação estão relacionadas à ampliação das responsabilidades da área de SST. A atuação também ganha espaço nas estratégias de sustentabilidade e ESG das organizações. Para Iva, o profissional de Engenharia de Segurança do Trabalho pode contribuir diretamente para a construção de ambientes mais seguros, saudáveis, produtivos e sustentáveis.

Cursos à distância

Ao mesmo tempo em que o mercado passa por transformações, a formação dos profissionais também é alvo de discussões.

A presidente da Associação Nacional dos Docentes em Engenharia de Segurança do Trabalho (Andest), engenheira Elizabeth Cox, lembra que os cursos de pós-graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho começaram no Brasil em 1975. Durante décadas, a formação ocorreu de maneira presencial, cenário que mudou a partir da pandemia de Covid-19.

Segundo Elizabeth, atualmente há uma instabilidade no segmento de formação profissional diante da expansão dos cursos à distância (EAD). Ela avalia que a ausência de parâmetros claros de qualidade pode representar riscos para a formação dos futuros profissionais.

“Os cursos presenciais estão sendo desativados nas Instituições de Ensino, sendo substituídos na sua grande maioria pelos cursos EAD, de baixa qualidade”, afirma.

De acordo com a presidente da Andest, o Sistema Confea/Crea já se manifestou junto ao Ministério da Educação (MEC) pela regulamentação dos cursos, com a definição de parâmetros mínimos que garantam qualidade e sustentabilidade jurídica e técnica.

Elizabeth também chama atenção para a necessidade de cumprimento do Parecer CFE nº 19/87, que estabelece o currículo básico da pós-graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho e, segundo ela, continua em vigor. A preocupação é que instituições de ensino não estejam atendendo integralmente às exigências previstas no normativo.

Dados do MEC indicavam, em 2023, a existência de 440 cursos presenciais de Engenharia de Segurança do Trabalho.

Qualificação como diferencial

Para Elizabeth, a discussão sobre a atualização da NR 1 e os riscos psicossociais ainda está em curso e não permite afirmar que exista consenso sobre o tema. Ela ressalta, entretanto, que o debate evidencia uma característica fundamental da SST: a necessidade de atuação multiprofissional.

“A atualização da NR 1, mormente a regulamentação dos riscos psicossociais, tem trazido mais controvérsias do que agregação de conhecimento e pacificação. Esse tema já está no STF, demandado pelo setor produtivo, no Brasil. No mundo inteiro, essa matéria está em debate, sem haver consenso. Vamos aguardar mais um pouco”, avalia.

Na visão da presidente da Andest, ainda é cedo para afirmar que o mercado de SST está aquecido em todo o Brasil. Ela considera, porém, que a área está valorizada e que a especialização, a capacitação e a atualização permanente continuam sendo fatores importantes para o desenvolvimento profissional. “A habilitação profissional permanente será sempre o diferencial da valorização e crescimento laboral”, destaca.

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