O mercado de planos de saúde manteve trajetória de expansão em julho e registrou a entrada líquida de 76 mil beneficiários. Segundo os dados mais recentes da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), o setor encerrou o mês com 53,2 milhões de vidas. Embora o resultado tenha desacelerado em relação às 113 mil novas vidas registradas em junho, o desempenho ficou aproximadamente 25% acima da média mensal dos últimos 12 meses, reforçando a resiliência da saúde suplementar.

Entre as principais operadoras, SulAmérica, braço da Rede D’Or (BOV:RDOR3), e Bradesco Saúde apresentaram os maiores destaques positivos. Já a Hapvida (BOV:HAPV3) voltou a registrar perda de beneficiários. Para analistas do Bank of America (BofA), XP Investimentos, BTG Pactual e Citi, o desempenho da SulAmérica foi especialmente relevante, com adição líquida de 37 mil beneficiários em julho. Para a XP, o número representa uma forte reaceleração e corresponde a 2,7 vezes a média mensal da companhia nos últimos 12 meses.

A Bradesco Saúde também mostrou aceleração no período e adicionou 35 mil beneficiários, contra 22 mil em junho. O resultado marcou a primeira vez em 2026 em que a SulAmérica superou a Bradesco Saúde em adições líquidas mensais. A Amil, por sua vez, manteve crescimento, mas em ritmo menor, com 23 mil novas vidas em julho, ante 27 mil no mês anterior. A Porto Saúde acrescentou 14 mil beneficiários e a Seguros Unimed apresentou saldo positivo de 17 mil.

Consideradas conjuntamente, SulAmérica, Bradesco Saúde, Amil e Porto Seguro (BOV:PSSA3) adicionaram 109 mil beneficiários em julho. O número supera o crescimento líquido de 76 mil vidas observado em todo o setor. A diferença ocorreu principalmente devido à redução da carteira da Hapvida, que compensou parte da expansão registrada pelas demais operadoras.

A Hapvida perdeu cerca de 58 mil beneficiários em julho, segundo BofA e BTG. Conforme o BTG, foram 28 mil perdas na operadora Hapvida e outras 30 mil na NotreDame Intermédica (NDI). O movimento está relacionado ao processo de limpeza da carteira anunciado pela companhia, que prevê a retirada de aproximadamente 950 mil beneficiários deficitários.

Para o BofA, portanto, a redução da base deve continuar refletindo a estratégia de ajuste. O BTG aponta que as maiores perdas ocorreram no Rio Grande do Norte, com menos 27 mil vidas, e em São Paulo, com redução de 21 mil. O Citi, por sua vez, registrou perda de 57 mil beneficiários e destacou o aumento do turnover na vertical Hapvida, que alcançou 3,7% em julho, ante média de 3,0% no acumulado do ano.

A dinâmica regional também chamou atenção. A XP destaca que a aceleração da Bradesco Saúde em Minas Gerais levou à adição de 5,3 mil beneficiários. Esse foi o melhor resultado mensal da companhia nos últimos 12 meses e superou o desempenho dos pares. Na SulAmérica, o avanço foi mais disseminado, com o Rio de Janeiro adicionando 9,6 mil vidas e Goiás outras 5,4 mil, ambos em ritmo significativamente superior ao observado recentemente.

Na Hapvida, os movimentos foram diferentes entre os Estados. Além da perda de 27 mil beneficiários no Rio Grande do Norte, a companhia adicionou 17 mil vidas no Rio Grande do Sul, evidenciando uma forte oscilação regional da carteira. Em São Paulo, a XP observa que a expansão das principais operadoras também ocorre fora da capital, sinalizando uma estratégia de crescimento geograficamente mais abrangente no Estado.

Segundo a XP, a cidade de São Paulo representou apenas 28% das adições líquidas da Bradesco Saúde no Estado, 37% das adições da Amil e 34% das da Porto Seguro. Na SulAmérica, a concentração na capital permaneceu maior, mas também diminuiu de maneira expressiva. A participação da cidade nas adições da companhia caiu de 80% em junho para 53% em julho. Entre as principais operadoras, a Bradesco Saúde apresentou o perfil mais disperso de crescimento dentro do Estado.

Para o BofA, a combinação dos resultados reforça a percepção de competição elevada entre as operadoras e de pressão sobre preços, à medida que as empresas buscam ampliar suas bases. A leitura do banco, em relatório assinado por Flavio Yoshida, Mirela Oliveira e Eyzo Kuroki, é de que o mercado continua crescendo, embora em ritmo mais lento, com o avanço de julho concentrado principalmente nas regiões Sudeste e Centro-Oeste.

Os analistas do BTG Pactual Samuel Alves e Maria Resende avaliam que o desempenho de SulAmérica e Bradesco Saúde indica continuidade da expansão em mercados considerados estratégicos para a saúde suplementar. A XP também aponta as duas empresas como os principais destaques recentes em adições líquidas, superando a Amil, que havia apresentado o melhor desempenho durante boa parte de 2026. (broadcast)