Um grave episódio ocorrido em uma unidade do sistema socioeducativo do Rio de Janeiro expõe, mais uma vez, a vulnerabilidade dos Agentes de Segurança Socioeducativos que trabalham diariamente na linha de frente.
Segundo o relato, um adolescente teria furtado o celular de um agente na galeria. Ao perceber o ocorrido, o servidor solicitou a devolução do aparelho, que foi entregue. Entretanto, após uma discussão, o adolescente teria corrido até o banheiro utilizado pelos agentes, arrancado violentamente a louça do lavatório e quebrado o objeto, transformando os pedaços em instrumentos cortantes.
De posse de um caco de louça, o adolescente teria avançado contra o agente, que caiu no chão. O golpe teria sido direcionado à região da cabeça. Em uma reação de defesa, o servidor conseguiu proteger-se com a mão, sofrendo um corte profundo que precisou de oito pontos.
Na tentativa de conter o agressor, os dois entraram em luta corporal e acabaram rolando sobre diversos cacos espalhados pelo chão. O adolescente também sofreu cortes nos braços, mãos, pernas e pés. Outros agentes chegaram ao local e conseguiram realizar a contenção.
O servidor ferido foi posteriormente socorrido pela enfermagem e encaminhado ao Hospital Evandro Freire, na Ilha do Governador.
Após a ocorrência, estiveram presentes na unidade equipes da Inteligência do DEGASE e do GAR.
⚠️ UM ALERTA SOBRE A SEGURANÇA
O episódio levanta uma questão que precisa ser debatida com seriedade: a retirada do spray de pimenta dos Agentes de Segurança Socioeducativos fragilizou a capacidade de resposta diante de situações de agressão.
Quando o agente não dispõe de equipamentos não letais adequados para controlar uma situação de risco, aumenta a possibilidade de ocorrer o contato físico direto entre servidor e adolescente, colocando ambos em perigo.
Neste caso, o servidor precisou utilizar o próprio corpo para impedir que um objeto cortante atingisse sua cabeça.
E se o golpe tivesse atingido a cabeça?
Poderíamos estar falando de uma tragédia.
Equipamentos de menor potencial ofensivo, quando corretamente regulamentados, fornecidos, fiscalizados e utilizados por profissionais capacitados, podem ser importantes ferramentas para reduzir a necessidade do confronto físico e proteger servidores e adolescentes.
Por isso, fica o questionamento:
POR QUE RETIRAR DOS AGENTES UM EQUIPAMENTO QUE PODE EVITAR O CONTATO FÍSICO EM SITUAÇÕES DE RISCO?
A segurança das unidades socioeducativas não pode ser tratada com improviso.
Os Agentes de Segurança Socioeducativos trabalham 24 horas por dia diretamente com adolescentes em cumprimento de medida e precisam ter estrutura, treinamento, protocolos e equipamentos adequados para exercer sua função com segurança.
A categoria manifesta seu repúdio à retirada do spray de pimenta e cobra das autoridades responsáveis medidas concretas para fortalecer a segurança das unidades do DEGASE.
Não se trata de defender violência.
Trata-se de defender prevenção, segurança e preservação da vida.
Nossa solidariedade ao servidor ferido. Desejamos sua plena recuperação e esperamos que este episódio sirva de alerta para que medidas sejam adotadas antes que uma ocorrência termine em uma tragédia ainda maior.
SEGURANÇA PARA QUEM CUIDA DA SEGURANÇA.
AGENTES DE SEGURANÇA SOCIOEDUCATIVOS MERECEM RESPEITO, PROTEÇÃO E CONDIÇÕES SEGURAS DE TRABALHO.


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