quinta-feira, 5 de março de 2026

Nem privilégio, nem precarização: Pelo fim das distorções salariais no setor público

 


A luta é permanente. E só será vitoriosa com unidade e mobilização da maioria dos servidores do Executivo Federal


Nem privilégio, nem precarização: Pelo fim das distorções salariais no setor público
Reprodução/DR

Condsef/Fenadsef

Quem já esteve nos atos em frente ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) sabe: a música "Xibom Bombom", do grupo As Meninas, virou trilha da nossa indignação contra as distorções salariais no Executivo Federal. No refrão do sucesso de 1999, a realidade da política salarial que produz efeitos perversos no setor público: “O de cima sobe e o de baixo desce…” 

A Condsef/Fenadsef e suas entidades filiadas querem dar um outro tom a essa realidade e, por isso, estão em campanha permanente pelo fim das distorções salariais no setor público. Hoje, no Executivo, há carreiras com atribuições semelhantes, responsabilidades equivalentes e exigências técnicas próximas, mas com diferenças salariais profundas.

Essas desigualdades foram ampliadas por negociações fragmentadas e reestruturações pontuais, sem uma política geral de reorganização das tabelas remuneratórias. O resultado é um cenário de injustiça que desestimula servidores, dificulta a retenção de quadros qualificados e aprofunda hierarquias artificiais dentro do próprio Estado.

A situação ganhou novo capítulo com o Projeto de Lei nº 5874/2025, que reestrutura parte das carreiras, mas deixa diversos segmentos de fora, o que aprofunda e cria um novo ciclo de desigualdades internas no Executivo.

Para enfrentar isso, apresentamos 43 emendas no Senado, com o objetivo de corrigir exclusões, equilibrar a política salarial, valorizar as carreiras administrativas e defender concursos públicos em todos os níveis de escolaridade, contra a lógica da terceirização.

A injustiça das distorções salariais não produz apenas efeitos financeiros individuais. Essa política produz vários efeitos institucionais perversos e prejudica o serviço público brasileiro.

Por isso, a campanha pelo fim das distorções salariais é também uma agenda mais ampla de valorização do serviço público.

A luta é permanente. E só será vitoriosa com unidade e mobilização da maioria dos servidores do Executivo Federal.

Serviço público forte se faz com valorização, justiça e organização coletiva. 

A IMPORTÂNCIA DO SISTEMA SOCIOEDUCATIVO NA PEC 18/25 E NA SEGURANÇA PÚBLICA



SISTEMA SOCIOEDUCATIVO TAMBÉM É SEGURANÇA PÚBLICA
O Brasil discute um novo modelo de segurança pública através da PEC 18/2025, e nesse debate não podemos ignorar um setor fundamental: o Sistema Socioeducativo.
Todos os dias, profissionais do sistema socioeducativo trabalham diretamente com adolescentes que cometeram atos infracionais, cumprindo medidas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente e no Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (SINASE).
Esses profissionais atuam na linha de frente, garantindo segurança dentro das unidades, prevenindo conflitos, evitando fugas e protegendo a sociedade. Ao mesmo tempo, contribuem para a ressocialização dos adolescentes, oferecendo uma nova oportunidade de vida.
Em estados como São Paulo, por exemplo, instituições como a Fundação CASA realizam diariamente esse trabalho complexo, que envolve segurança, educação e reintegração social.
Mas apesar dessa responsabilidade enorme, o Sistema Socioeducativo ainda não possui o reconhecimento constitucional que merece dentro da segurança pública brasileira.
⚖️ A inclusão do Sistema Socioeducativo no artigo 144 da Constituição é uma questão de justiça e de eficiência na política de segurança pública.
Reconhecer o sistema socioeducativo como parte da segurança pública significa:
✔ fortalecer a prevenção da criminalidade
✔ valorizar os profissionais que atuam nas unidades
✔ melhorar a integração com as demais forças de segurança
✔ garantir mais investimentos e políticas públicas estruturadas
✔ reduzir a reincidência e proteger a sociedade
A segurança pública não começa apenas quando o crime acontece. Ela também se constrói quando o Estado atua para evitar que jovens entrem definitivamente no caminho da criminalidade.
O Sistema Socioeducativo está exatamente nesse ponto decisivo.
Valorizar esse sistema é investir em prevenção, em justiça social e em um futuro mais seguro para o Brasil.
📢 Sistema Socioeducativo no artigo 144 já!
📢 Reconhecimento e valorização para quem protege a sociedade todos os dias!



 O sistema socioeducativo brasileiro tem um papel fundamental na construção de uma sociedade mais segura, justa e equilibrada. Ele é responsável pela execução das medidas socioeducativas aplicadas a adolescentes que cometeram atos infracionais, conforme estabelecido pelo Estatuto da Criança e do Adolescente e regulamentado pelo Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (SINASE).

Diferente do sistema prisional destinado a adultos, o sistema socioeducativo possui uma função dupla: responsabilizar o adolescente pelo ato cometido e promover sua reeducação e reinserção social. No entanto, apesar da importância dessa estrutura para a segurança pública e para a proteção da sociedade, o sistema socioeducativo historicamente não foi plenamente reconhecido como parte integrante da política nacional de segurança.

É justamente nesse ponto que surge a relevância da PEC 18/25, que busca modernizar e reorganizar o modelo de segurança pública no país.

O QUE É O SISTEMA SOCIOEDUCATIVO

O sistema socioeducativo é o conjunto de políticas públicas, instituições e profissionais responsáveis por executar as medidas aplicadas pela Justiça da Infância e Juventude a adolescentes que cometeram infrações.

Essas medidas podem ser:

Advertência

Obrigação de reparar o dano

Prestação de serviços à comunidade

Liberdade assistida

Semiliberdade

Internação em unidade socioeducativa

As medidas de internação e semiliberdade são executadas dentro de unidades específicas, como ocorre na Fundação CASA, em São Paulo.

Essas unidades possuem equipes multidisciplinares formadas por:

Agentes socioeducativos

Psicólogos

Assistentes sociais

Pedagogos

Educadores

Profissionais da segurança

O objetivo é garantir que o adolescente cumpra a medida determinada pela Justiça ao mesmo tempo em que receba acompanhamento educacional, psicológico e social.

O PAPEL DOS AGENTES SOCIOEDUCATIVOS

Os agentes socioeducativos são profissionais responsáveis pela segurança, disciplina, organização e acompanhamento direto dos adolescentes dentro das unidades.

Eles desempenham funções fundamentais, como:

Garantir a segurança da unidade

Impedir fugas e rebeliões

Conter conflitos entre adolescentes

Realizar revistas e procedimentos de segurança

Acompanhar deslocamentos internos e externos

Apoiar atividades pedagógicas e socioeducativas

Intervir em situações de crise

Na prática, esses profissionais atuam diariamente em ambientes de alto risco, lidando com adolescentes que muitas vezes já tiveram contato com organizações criminosas, tráfico de drogas e violência urbana.

Mesmo exercendo funções diretamente ligadas à segurança pública, os agentes socioeducativos ainda não possuem o reconhecimento constitucional equivalente a outras forças de segurança.

POR QUE O SISTEMA SOCIOEDUCATIVO É FUNDAMENTAL PARA A SEGURANÇA PÚBLICA

Muitas vezes a sociedade enxerga a segurança pública apenas sob a perspectiva policial. Porém, o sistema socioeducativo representa uma etapa estratégica na prevenção da criminalidade futura.

Grande parte dos criminosos adultos iniciou sua trajetória no crime ainda na adolescência. Portanto, quando o Estado consegue intervir de forma eficaz nesse momento, há maiores chances de interromper o ciclo da violência.

O sistema socioeducativo atua justamente nesse ponto crítico.

Ele trabalha com adolescentes que:

Já cometeram atos infracionais graves

Possuem histórico de vulnerabilidade social

Muitas vezes são vítimas de abandono, violência ou exclusão

Já tiveram contato com o crime organizado

Se o Estado não atuar de forma eficiente nesse momento, existe grande risco de que esses jovens migrem definitivamente para o sistema prisional adulto.

Portanto, o sistema socioeducativo não protege apenas o adolescente — ele protege toda a sociedade.

A LACUNA CONSTITUCIONAL

O artigo 144 da Constituição Federal define quais são os órgãos responsáveis pela segurança pública, como:

Polícia Federal

Polícia Rodoviária Federal

Polícia Ferroviária Federal

Polícias Civis

Polícias Militares

Corpos de Bombeiros

Polícias Penais

No entanto, o sistema socioeducativo não aparece expressamente nesse artigo, mesmo sendo responsável pela custódia e segurança de adolescentes que cometeram crimes.

Essa ausência gera diversos problemas, como:

Falta de reconhecimento institucional

Dificuldade na criação de políticas nacionais específicas

Falta de padronização entre os estados

Falta de investimentos adequados

Ausência de integração com outras forças de segurança

A PEC 18/25 busca corrigir essa lacuna histórica.

O QUE MUDA COM A INCLUSÃO DO SISTEMA SOCIOEDUCATIVO

A inclusão do sistema socioeducativo no artigo 144 da Constituição representa um avanço importante.

Entre os principais benefícios estão:

1 – Reconhecimento como parte da segurança pública

O sistema socioeducativo passará a ser oficialmente reconhecido como uma estrutura estratégica da segurança pública brasileira.

Isso valoriza os profissionais da área e fortalece o papel das instituições responsáveis pelo atendimento aos adolescentes.

2 – Integração com outras forças de segurança

A inclusão no artigo 144 permitirá maior integração entre:

Polícias

Ministério Público

Poder Judiciário

Sistema socioeducativo

Sistema penitenciário

Essa integração melhora o fluxo de informações, planejamento de ações e políticas públicas.

3 – Fortalecimento institucional

Com reconhecimento constitucional, será possível:

Criar políticas nacionais específicas

Melhorar a estrutura das unidades

Garantir formação e capacitação profissional

Fortalecer protocolos de segurança

4 – Mais investimentos

O reconhecimento dentro da segurança pública pode facilitar:

acesso a recursos federais

programas nacionais de capacitação

investimentos em tecnologia e infraestrutura

5 – Valorização dos profissionais

Os agentes socioeducativos desempenham atividades semelhantes às de outras forças de segurança em muitos aspectos.

A inclusão no artigo 144 ajuda a fortalecer:

identidade profissional

valorização da carreira

reconhecimento da importância da função

IMPACTO NA PREVENÇÃO DA CRIMINALIDADE

Um sistema socioeducativo estruturado e valorizado pode reduzir significativamente a reincidência criminal.

Quando o adolescente recebe:

acompanhamento psicológico

educação

capacitação profissional

orientação social

disciplina institucional

as chances de reinserção social aumentam.

Isso reduz o número de jovens que acabam ingressando definitivamente no sistema prisional.

Portanto, investir no sistema socioeducativo significa investir na prevenção do crime.

O PAPEL SOCIAL DO SISTEMA SOCIOEDUCATIVO

Além da segurança pública, o sistema socioeducativo possui uma função social essencial.

Ele trabalha na reconstrução de trajetórias de vida que muitas vezes foram marcadas por:

pobreza extrema

violência familiar

abandono escolar

falta de oportunidades

Ao oferecer educação, disciplina e acompanhamento social, o sistema busca criar novas perspectivas para esses jovens.

DESAFIOS DO SISTEMA SOCIOEDUCATIVO

Apesar da sua importância, o sistema ainda enfrenta diversos desafios, como:

baixo efetivo de servidores

unidades superlotadas

falta de investimentos

riscos constantes para os profissionais

pouca valorização institucional

Esses problemas demonstram a necessidade de fortalecer o setor dentro das políticas nacionais de segurança.

CONCLUSÃO

A inclusão do sistema socioeducativo na PEC 18/25 representa um passo importante para reconhecer oficialmente a relevância desse setor dentro da segurança pública brasileira.

O sistema socioeducativo atua em um momento decisivo da vida de jovens que já tiveram contato com a criminalidade. Quando estruturado e valorizado, ele pode transformar realidades, reduzir a reincidência e contribuir diretamente para a construção de uma sociedade mais segura.

Reconhecer constitucionalmente o sistema socioeducativo significa reconhecer que a segurança pública não se faz apenas com repressão, mas também com prevenção, educação e reinserção social.

Portanto, fortalecer o sistema socioeducativo é fortalecer o futuro da sociedade brasileira.

quarta-feira, 4 de março de 2026

Veja a lista dos deputados que votaram contra a PEC da Segurança Pública

 

O único bloco a orientar os parlamentares a votarem contra a medida foi a federação PSOL-Rede



A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira 4, em dois turnos, a PEC da Segurança Pública. A proposta altera dispositivos da Constituição para reorganizar a política de segurança no País, ampliar instrumentos de combate ao crime organizado e integrar ações entre União, estados, Distrito Federal e municípios.


Foram 487 votos a favor e 15 contra e uma abstenção no primeiro turno e 461 a favor e 14 contra em segundo turno apenas o deputado Luciano Bivar (União-PE) voltou atrás e se posicionou de forma favorável no segundo turno. Por se tratar de uma proposta de emenda constitucional, o texto ainda precisa ser aprovado em dois turnos no Senado.

14 contra em segundo turno deputado Luciano Bivar (União-PE) voltou atrás e se posicionou de forma favorável no segundo turno. Por se tratar de uma proposta de emenda constitucional, o texto ainda precisa ser aprovado em dois turnos no Senado.

O texto, relatado pelo deputado Mendonça Filho (União-PE), reúne medidas que tratam desde o endurecimento de regras penais até mudanças institucionais na atuação das forças de segurança e na distribuição de recursos para o setor.

A proposta também inclui na Constituição o Sistema Único de Segurança Pública (Susp), estrutura criada para integrar as ações de combate ao crime organizado entre os diferentes níveis de governo.

A PEC da Segurança Pública foi enviada ao Congresso pelo governo Lula (PT) com o objetivo de fortalecer a integração das políticas de segurança no País. Durante a tramitação, o relatório apresentado por Mendonça Filho ampliou o escopo do texto e incluiu mudanças institucionais e penais, o que provocou debates entre governo e oposição.

Parlamentares que votaram contra a PEC em 1º turno:


Capitão Augusto (PL-SP);


Célia Xakriabá (PSOL-MG);


Chico Alencar (PSOL-RJ);


Erika Hilton (PSOL-SP);


Fernanda Melchionna (PSOL-RS);


Heloisa Helena (Rede-RJ);


Ivan Valente (PSOL-SP);


Luciano Bivar (União-PE);


Luiza Erundina (PSOL-SP);


Pastor Henrique Vieira (PSOL-RJ);


Professora Luciene Cavalcante (PSOL-SP);


Sâmia Bomfim (PSOL-SP);


Talíria Petrone (PSOL-RJ);


Tarcísio Motta (PSOL-RJ); e


Túlio Gadêlha (Rede-PE)



Luizianne Lins (PT-CE).


Parlamentares que votaram contra a PEC em 2º turno:


Capitão Augusto (PL-SP);


Célia Xakriabá (PSOL-MG);


Chico Alencar (PSOL-RJ);


Erika Hilton (PSOL-SP);


Fernanda Melchionna (PSOL-RS);


Heloisa Helena (Rede-RJ);


Ivan Valente (PSOL-SP);


Luiza Erundina (PSOL-SP);


Pastor Henrique Vieira (PSOL-RJ);


Professora Luciene Cavalcante (PSOL-SP);


Sâmia Bomfim (PSOL-SP);


Talíria Petrone (PSOL-RJ);


Tarcísio Motta (PSOL-RJ); e


Túlio Gadêlha (Rede-PE)








Pec 18/25 inclusão do Sistema Socieducativo na Segurança Pública







 


Se temos condições de comemorar o dia de hoje isso se deve a todo o trabalho de anos no Congresso Nacional da nossa madrinha @rjlauracarneiro que sempre nos defendeu e buscou mostrar a todo o Brasil que somos sim profissionais de segurança pública!

Agradecemos o apoio e empenho do Deputado @lucasabrahao_ para a inclusão do SSE no art 144 da CF!


O que é a PEC 18/25

A PEC 18/25 é uma proposta que altera o Artigo 144 da Constituição Federal do Brasil, que define quais são os órgãos da segurança pública no país.

Hoje o artigo 144 inclui:

Polícia Federal

Polícia Rodoviária Federal

Polícias Civis

Polícias Militares

Corpos de Bombeiros

Polícia Penal

O que pede a Emenda 9 (Destaque 12)

A Emenda 9, apresentada dentro da PEC, propõe:

➡️ Incluir o Sistema Socioeducativo como órgão da segurança pública no Art. 144 da Constituição.

Na prática isso significaria:

Reconhecimento constitucional do Sistema Socioeducativo

Valorização dos agentes socioeducativos

Integração oficial ao Sistema Único de Segurança Pública (SUSP)

Possibilidade de políticas nacionais específicas para o setor

Por que o destaque é importante

O destaque 12 serve para garantir que essa emenda seja votada separadamente, evitando que ela seja retirada do texto principal da PEC.

Ou seja, o destaque é uma forma de defender a inclusão do socioeducativo na Constituição.

Quem está acompanhando em Brasília

Representantes de entidades do sistema socioeducativo, como a Federação Nacional dos Trabalhadores do Sistema Socioeducativo, sindicatos estaduais e servidores, estão no Congresso articulando com deputados para aprovar a emenda.

Crise dentro e fora das grades O sistema prisional também caminha para o colapso sob o olhar indiferente de Tarcísio


 

https://iclnoticias.com.br/a-traicao-de-tarcisio-governador-ira-policias/

Crise dentro e fora das grades


O sistema prisional também caminha para o colapso sob o olhar indiferente de Tarcísio. A Polícia Penal viu seu efetivo cair 20% enquanto o número de presídios aumentou, gerando uma sobrecarga que facilita a autogestão das facções criminosas dentro dos pavilhões. Há unidades prisionais operando com computadores que ainda rodam o Windows 95, a falta de scanners corporais e o sucateamento das viaturas da SAP é uma realidade constante. Segundo o Sindicato dos Policiais Penais de São Paulo (Sinppenal), aproximadamente um terço da frota da SAP está inservível, expondo os policiais a mais riscos.


O Sindicato acredita que o sucateamento tem um objetivo oculto: justificar a entrega do sistema para a iniciativa privada por meio de parcerias público-privadas. “O governo sucateia deliberadamente para depois vender a ideia de que a privatização é a única saída, enquanto nossos policiais trabalham em condições insalubres e adoecem diariamente. Sem contar com o amparo do estado para cuidar da saúde mental, muitos companheiros acabam tirando a própria vida. Em dois meses de 2026, já tivemos dois suicídios”, afirma Fábio Jabá, presidente do Sinppenal.


Ele destaca que o risco para os policiais penais é iminente e que a segurança das unidades está por um fio. “A Polícia Penal, que votou em peso no governador, foi abandonada e esquecida por Tarcísio. Nossos companheiros estão sofrendo com a sobrecarga de trabalho e o estresse de uma profissão que precisa lidar diariamente com todas aquelas pessoas que oferecem risco à sociedade e estão confinadas em um espaço de superlotação e precariedade. Os problemas da profissão são muitos, mas nem isso sensibiliza o governo a valorizar os policiais”, diz.


Acordo tira maioridade penal da PEC da segurança para destravar votação

 

Negociação intermediada por Hugo Motta permite avanço da proposta relatada por Mendonça Filho ao retirar trecho considerado mais controverso

Por Cleber Lourenço

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 18/2025, que reorganiza a arquitetura institucional da segurança pública no país, deve avançar no plenário da Câmara após um acordo político que retirou do texto a discussão sobre a redução da maioridade penal e a realização de um plebiscito sobre o tema.

A negociação ocorreu nos bastidores da Câmara e envolveu o governo federal, o relator da proposta, deputado Mendonça Filho, e lideranças partidárias. O entendimento foi intermediado pelo presidente da Casa, Hugo Motta, com o objetivo de evitar que um dos pontos mais sensíveis do debate travasse a tramitação da PEC.

Pelo acordo, o governo não criará obstáculos à tramitação da proposta em plenário. Em contrapartida, o trecho que tratava da redução da maioridade penal será retirado do texto e discutido posteriormente em um projeto separado.

Interlocutores envolvidos nas negociações afirmam que a estratégia busca evitar que o governo seja associado a uma posição contrária a uma pauta tradicionalmente vinculada ao debate sobre segurança pública, ao mesmo tempo em que permite que a PEC avance sem carregar um tema que divide a base governista.

Reorganização do sistema de segurança

A PEC altera diversos dispositivos da Constituição e propõe uma reestruturação do sistema de segurança pública brasileiro. O relatório afirma que o crime organizado assumiu uma dimensão nacional e internacional, ultrapassando fronteiras estaduais e exigindo uma coordenação estratégica mais ampla do Estado.

Segundo o texto, a proposta busca fortalecer a capacidade da União de conduzir a política nacional de segurança pública, ao mesmo tempo em que preserva as competências dos estados e municípios.

O substitutivo apresentado pelo relator foi estruturado em quatro pilares principais: fortalecimento da política criminal, modernização da governança policial, reorganização do sistema prisional e criação de mecanismos de financiamento mais estáveis para a segurança pública.

Um dos pontos centrais da proposta é a criação de um regime jurídico especial para organizações criminosas consideradas de alta periculosidade. O texto prevê que a legislação poderá estabelecer medidas mais rigorosas, como restrições à progressão de regime, suspensão de benefícios penais e ampliação das possibilidades de confisco de bens ligados a atividades criminosas.

Outro eixo da proposta é a constitucionalização do Sistema Único de Segurança Pública (Susp), com previsão de atuação integrada entre União, estados e municípios, compartilhamento de informações e formação de forças-tarefa intergovernamentais.

O texto também prevê a possibilidade de criação de polícias municipais, organizadas em carreira e sujeitas a controle externo do Ministério Público, além de ampliar o papel da Polícia Federal no combate a organizações criminosas e milícias com atuação interestadual ou internacional.

Financiamento ainda em discussão

Apesar do avanço nas negociações políticas, o texto final apresentado na reunião de líderes realizada na tarde desta quarta-feira ainda não incorporava todas as modificações negociadas nas últimas horas. O movimento repete um padrão já visto em outras votações recentes na Câmara, como ocorreu com o chamado PL anti-facção, quando diferentes versões do texto foram sendo apresentadas até os momentos finais da deliberação em plenário.

Nos bastidores, parlamentares afirmam que a versão levada à reunião de líderes funcionou mais como um texto-base para a construção do acordo político, enquanto ajustes técnicos seguem sendo discutidos. A expectativa entre líderes partidários é que uma nova versão do relatório ainda seja apresentada antes da votação, incorporando mudanças que estão sendo finalizadas em diálogo com o Ministério da Fazenda. O principal deles diz respeito às regras de financiamento da política de segurança pública.

O relatório prevê a criação de mecanismos de financiamento mais estáveis, com recursos destinados ao Fundo Nacional de Segurança Pública e ao Fundo Penitenciário Nacional. Parte dessas receitas poderá vir de arrecadação de apostas e de valores confiscados de atividades criminosas.

Os detalhes finais sobre essas fontes de financiamento ainda estão sendo discutidos com o Ministério da Fazenda e devem ser apresentados antes da votação em plenário.

Com a retirada do trecho mais controverso e a construção de um acordo político em torno do texto principal, líderes da Câmara avaliam que a PEC reúne condições de avançar na pauta legislativa nos próximos dias.

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Deputados podem votar PEC da Segurança Pública nesta quarta

 

Plenário tem sessão agendada para as 13h55

04/03/2026 - 09:30  

Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados
Sessão para a votação de propostas legislativas.
Plenário da Câmara durante sessão deliberativa

O Plenário da Câmara dos Deputados pode votar, nesta quarta-feira (4), a PEC da Segurança Pública (PEC 18/25). Entre outros pontos, a proposta cria o Sistema Único de Segurança Pública (Susp), que integra a atuação da União e dos estados no combate ao crime organizado.

O deputado Mendonça Filho (União-PE) apresentou, no final do ano passado, substitutivo ao texto original do governo. A previsão é de que a proposta seja votada ainda hoje pela comissão especial .

Mulheres
Entre os itens da pauta, está a proposta (PL 3880/24) que inclui a violência vicária – que ocorre por substituição, ou seja, contra outras pessoas, mas com a intenção de atingir a mulher – entre as definições de violência doméstica e familiar previstas na Lei Maria da Penha.

A votação da matéria foi anunciada pela deputada Laura Carneiro (PSD-RJ), na semana passada. Segundo a deputada, a ideia é unir o conteúdo do PL 3880/24, da própria Laura Carneiro, ao do PL 2767/25, da deputada Maria do Rosário (PT-RS) e outras quatro parlamentares, que inclui o homicídio vicário no Código Penal.

Outra proposta em pauta que trata de direitos e violência contra mulheres é o PL 2525/24, da deputada Coronel Fernanda (PL-MT), que institui protocolo penal para a atuação das autoridades em casos de estupro, com prazos e medidas de atendimento à vítima e de preservação das provas.

Bancos
Pode ainda ser votado o PLP 281/19, do Poder Executivo, que cria novos regimes para socorrer instituições financeiras. O projeto prevê a criação de fundos para fornecer liquidez ao sistema e conceder empréstimos às instituições em dificuldade.

Da Redação – RL

Fonte: Agência Câmara de Notícias