Escrito porLais Soaresproducaodiario@svm.com.br
24 de Maio de 2026 - 06:00

Legenda: Lais Soares é empreendedora
O Brasil enfrenta uma crise silenciosa no mundo do trabalho. O crescimento expressivo de faltas e atestados médicos, especialmente por transtornos mentais, já não é apenas uma estatística preocupante: é um sinal de alerta que afeta diretamente a operação e a sustentabilidade das empresas, sobretudo nos setores de serviços.
Os dados são contundentes. Mais de meio milhão de licenças foram concedidas por transtornos mentais em 2025, de acordo com dados do Ministério da Previdência Social. São números que revelam uma ferida estrutural no mercado de trabalho brasileiro e que não podem ser tratados como ruído estatístico.
Parte do problema tem raiz legítima. O adoecimento mental dos trabalhadores é real e exige atenção genuína. Ambientes de alta pressão, instabilidade econômica, jornadas excessivas e falta de suporte emocional no trabalho contribuem diretamente para esse quadro. As empresas que ainda enxergam saúde mental como pauta secundária estão, na prática, cultivando o próprio prejuízo.
Mas há outro lado que precisa ser dito com clareza: o uso irregular de atestados médicos, obtidos pela internet ou mediante pressão sobre profissionais de saúde, distorce o sistema e pune quem age de boa-fé. Empresas que precisam manter equipes completas para garantir serviços essenciais, como segurança, limpeza e manutenção em condomínios, não podem ser reféns de fraudes documentais.
A banalização do atestado médico enfraquece uma proteção que existe para amparar quem realmente precisa. A resposta a esse cenário passa por dois caminhos simultâneos: tecnologia e gestão humanizada. Ferramentas de análise de dados e inteligência artificial já permitem identificar padrões de ausência e possíveis irregularidades com precisão crescente. Ao mesmo tempo, investir na saúde, no engajamento e nas condições de trabalho das equipes reduz, de forma estrutural, as ausências legítimas, criando um ciclo virtuoso para empresas e trabalhadores.
O absenteísmo não é fatalidade nem privilégio de setor. É um problema gerenciável, desde que seja encarado com seriedade, dados concretos e responsabilidade compartilhada entre gestores e colaboradores.
Nenhum comentário:
Postar um comentário