segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Projeto de lei propõe isenção total do Imposto de Renda para professores e educadores

 

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A possibilidade de isenção de Imposto de Renda para professores entrou de forma mais intensa na pauta pública brasileira, em meio às discussões sobre financiamento da educação, políticas de valorização profissional e impacto tributário direto sobre o salário líquido de docentes e demais trabalhadores de escolas e faculdades.

O que é a proposta de isenção de Imposto de Renda para professores?

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A proposta de isenção de Imposto de Renda para professores busca que rendimentos provenientes do trabalho educacional deixem de ser tributados dentro de critérios específicos. Em linhas gerais, pretende-se alterar a Lei nº 7.713/1988, incluindo como isentos os rendimentos recebidos por profissionais da educação básica, técnica e superior.

O foco central recai sobre salários, vencimentos e verbas remuneratórias ligadas ao exercício da função educacional, em instituições públicas ou privadas. A isenção, se aprovada, seria aplicada diretamente na retenção na fonte, antes de o valor chegar ao contracheque, dependendo ainda de aprovação legislativa e de regulamentação detalhada.

Projeto de lei propõe isenção total do Imposto de Renda para professores e educadores
Isenção de imposto para educadores pode mudar o futuro da profissão (Créditos: depositphotos.com / AllaSerebrina)

Quem pode ser beneficiado pela isenção de Imposto de Renda na educação?

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O projeto procura alcançar profissionais que, de forma direta ou indireta, garantem o funcionamento das instituições de ensino e o desenvolvimento do processo pedagógico na educação infantil, fundamental, média, técnica e superior. A definição final dos cargos contemplados poderá ser ajustada no Congresso e detalhada em regulamentação posterior.

Entre os grupos potencialmente beneficiados pela isenção de IR, destacam-se funções pedagógicas, de gestão escolar e de apoio técnico-administrativo ligadas diretamente ao cotidiano das escolas, institutos e faculdades. Abaixo, estão alguns exemplos de profissionais que podem ser incluídos:

  • Docentes da educação infantil, fundamental, média, técnica e do ensino superior;
  • Coordenadores pedagógicos, orientadores educacionais e supervisores;
  • Diretores escolares, vice-diretores, inspetores e auxiliares de sala;
  • Técnicos e funcionários administrativos lotados em unidades de ensino;
  • Secretários escolares, bibliotecários e equipes de apoio pedagógico.

Como funciona o processo para a isenção de Imposto de Renda?

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Para vigorar, a isenção de Imposto de Renda para professores precisa cumprir todo o trâmite legislativo: análise em comissões, votação nos plenários da Câmara e do Senado e posterior sanção ou veto presidencial. Somente após a publicação em lei e regulamentação é que as regras passam a produzir efeitos práticos.

Em regra, mudanças tributárias começam a valer a partir do exercício financeiro seguinte ao da publicação. Assim, se aprovada, a isenção poderia impactar a retenção mensal de IR e a declaração do ano-base com Receita Federal e Ministério da Fazenda definindo os procedimentos operacionais.

Projeto de lei propõe isenção total do Imposto de Renda para professores e educadores
Isenção de imposto para educadores pode mudar o futuro da profissão (Créditos: depositphotos.com / BrendaRochaBlossom // Créditos: depositphotos.com / HayDmitriy)

Como a isenção de Imposto de Renda seria aplicada?

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Na prática, a aplicação da isenção deve ocorrer diretamente na folha de pagamento das instituições de ensino, que deixariam de reter o imposto sobre os valores considerados isentos. Para isso, será necessária comprovação formal de vínculo e enquadramento na categoria de profissional da educação.

Na declaração anual de Imposto de Renda da pessoa física, os rendimentos isentos deverão ser informados em campos próprios, seguindo orientações da Receita Federal. Sistemas de folha e contabilidade terão de ser ajustados para refletir corretamente a nova natureza tributária desses rendimentos.

Como a isenção de Imposto de Renda pode valorizar a carreira docente?

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A isenção de Imposto de Renda para professores é vista como um instrumento de valorização da carreira, ao aumentar a renda líquida sem alterar o salário bruto. Esse alívio pode ajudar a custear deslocamentos, materiais didáticos e formação continuada, contribuindo para a permanência e atração de profissionais.

Analistas destacam que a medida também precisa ser equilibrada com o impacto fiscal nas contas públicas, exigindo planejamento conjunto com outras políticas de financiamento da educação, planos de carreira e melhoria das condições de trabalho para produzir resultados sustentáveis no longo prazo.

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domingo, 4 de janeiro de 2026

Estudo nacional aponta adoecimento mental e físico de servidores do sistema prisional

 

Sob pressão constante, agentes penitenciários enfrentam altos índices de adoecimento

Uma pesquisa nacional realizada entre 2022 e 2024 revelou que pelo menos 10,7% dos agentes penitenciários brasileiros foram diagnosticados com depressão (Foto Divulgação)
Uma pesquisa nacional realizada entre 2022 e 2024 revelou que pelo menos 10,7% dos agentes penitenciários brasileiros foram diagnosticados com depressão (Foto Divulgação)

Uma pesquisa nacional realizada entre 2022 e 2024 revelou que pelo menos 10,7% dos agentes penitenciários brasileiros foram diagnosticados com depressão. O levantamento ouviu 22,7 mil profissionais que atuam no sistema penitenciário em todo o país, incluindo o estado de Roraima, e traz um panorama preocupante sobre a saúde mental e física da categoria.

Os dados fazem parte do estudo “Cenários da Saúde Física e Mental dos Servidores do Sistema Penitenciário Brasileiro”, organizado pela Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), do Ministério da Justiça e Segurança Pública, em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Os participantes da etapa quantitativa são servidores estaduais e federais que atuam diretamente no sistema penitenciário brasileiro.

Além da depressão, a pesquisa indica que 20,6% dos servidores afirmaram ter transtorno de ansiedade, enquanto 4,2% relataram diagnóstico de transtorno de pânico. Para os organizadores do estudo, os números refletem os desafios impostos pelo ritmo intenso de trabalho e pelas exigências emocionais e físicas da função, considerada estratégica para a segurança pública, mas frequentemente invisibilizada.


Apesar do cenário de adoecimento, o levantamento mostra que parte significativa dos profissionais mantém satisfação com o trabalho. 15,9% se declararam “muito satisfeitos”, enquanto 59,3% afirmaram estar “satisfeitos” com as atividades que desempenham. Em contrapartida, o reconhecimento social é apontado como insuficiente: 50,7% dizem que a sociedade raramente reconhece o valor do trabalho, e 33% afirmam nunca se sentir reconhecidos.

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Doenças físicas e qualidade de vida

A pesquisa também revela problemas relacionados à saúde física dos servidores. Entre as principais condições relatadas estão hipertensão (18,1%), obesidade (12,5%) e doenças ortopédicas (12,3%). Além disso, 37,7% dos entrevistados disseram nunca ou raramente se sentirem revigorados após o sono, um indicador considerado essencial para a manutenção da qualidade de vida.

Segundo o estudo, a baixa qualidade do sono afeta não apenas o desempenho no trabalho, mas também a saúde geral e os relacionamentos interpessoais. Embora sintomas como dores no estômago e alterações na frequência cardíaca apresentem menor prevalência, eles ainda são considerados sinais relevantes de tensionamentos diários e possíveis processos de adoecimento.

Em síntese, mais de 40% dos respondentes relataram dores de cabeça e dores musculares mais de duas vezes no último mês, e 28% afirmaram nunca praticar atividade física. Os dados chamam atenção por destoarem da percepção geral dos servidores sobre a própria saúde, que em sua maioria foi classificada como satisfatória.

O levantamento também aponta falhas no acompanhamento preventivo: 18,3% dos agentes não foram ao médico no último ano, e 26,1% não consultaram um dentista no mesmo período. Para os pesquisadores, a ausência de sintomas não significa necessariamente boa saúde, e o acompanhamento médico regular é fundamental para evitar o surgimento de doenças crônicas.

Necessidade de políticas públicas

Diante dos resultados, o secretário nacional de Políticas Penais, André Garcia, destacou a urgência de políticas estruturadas de cuidado voltadas aos servidores penitenciários. Segundo ele, esses profissionais sustentam uma estrutura essencial para a segurança pública brasileira, mas historicamente tiveram suas necessidades negligenciadas.

A pesquisa reforça a necessidade de ações integradas de promoção da saúde mental, prevenção de doenças físicas e valorização profissional, como forma de garantir melhores condições de trabalho e qualidade de vida aos agentes penitenciários em todo o país.