quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Família não é empresa: o fim da manobra que encareceu os planos de saúde

 


O reconhecimento judicial do falso coletivo demonstra que artifícios puramente formais não podem prevalecer sobre a verdade dos fatos
João Eugênio Modenesi Filho
É advogado

Publicado em 03 de Setembro de 2026 às 10:00 - Atualizado há 22 horas

Você provavelmente conhece alguém — ou vive isso na própria pele — que precisou abrir um CNPJ ou criar uma microempresa para conseguir contratar um plano de saúde para a sua família. Ao longo dos últimos anos, as operadoras praticamente deixaram de vender planos individuais e familiares no mercado.

 

A razão por trás disso é simples: nos convênios individuais, os reajustes anuais têm um limite máximo obrigatório fixado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Já nos planos empresariais, as operadoras contam com ampla liberdade para aplicar aumentos expressivos, livres dessa trava do governo.

 

Foi dessa maneira que se consolidou a armadilha do chamado "falso coletivo". Milhares de famílias foram empurradas para contratos desse modelo acreditando estarem seguras, mas passaram a conviver, ano após ano, com aumentos abusivos de 20%, 35% ou até 50%. Um conta que, previsivelmente, logo se torna impagável para o orçamento doméstico.


A recente e lúcida decisão judicial que reconheceu expressamente a figura do "falso coletivo" e determinou a limitação dos aumentos contratuais aos índices oficiais da ANS representa uma vitória expressiva e um alento indispensável para a sociedade. 


Em junho, o STJ já havia consolidado o entendimento de que, caracterizado o "falso coletivo", aplicam-se as regras cogentes da lei 9.656/98 destinadas aos planos individuais.

 

No caso agora em questão, analisado em Guarulhos (SP), uma família composta por apenas cinco pessoas havia contratado um plano com formato empresarial. A magistrada responsável pelo julgamento foi certeira ao afastar o disfarce burocrático: um grupo familiar reduzido não pode ser tratado como se fosse uma grande corporação com centenas de empregados, na qual os custos de internações e tratamentos são amplamente diluídos entre milhares de trabalhadores segurados.

 

Ao julgar a matéria, a Justiça fez valer a primazia da realidade: o que importa é a essência dos fatos, e não o carimbo corporativo colocado no papel. Se o grupo é familiar, ele deve ter a proteção dos planos individuais. A decisão determinou a aplicação do teto anual da ANS, mandou recalcular os boletos passados e garantiu a devolução dos valores pagos a mais.


Plano de saúde, consumidor
Plano de saúdeDivulgação

Ponto para a Justiça. A prática do “falso coletivo” prejudica especialmente aposentados, trabalhadores e idosos. Pessoas que veem seus rendimentos mensais serem totalmente engolidos pelo boleto do plano de saúde. 


Esse aumento desmedido opera como uma verdadeira expulsão forçada: o cidadão não aguenta mais pagar e é obrigado a cancelar o contrato justamente na fase da vida em que mais necessita de amparo médico e quando a idade avançada inviabiliza novo plano sem carências.

 

A contratação de um plano de saúde envolve a proteção do bem mais valioso do ser humano: a vida, a saúde e a dignidade. O reconhecimento judicial do falso coletivo demonstra que artifícios puramente formais não podem prevalecer sobre a verdade dos fatos, coibindo práticas abusivas e conferindo a segurança jurídica e a tranquilidade que as famílias tanto necessitam e merecem

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

PEC da Segurança Pública é aprovada

 


A Comissão de Constituição e Justiça aprovou proposta que insere na Constituição o Sistema Único de Segurança Pública (PEC 18/2025). O texto amplia as competências federais no combate ao crime organizada, permite a criação de polícias municipais e redefine o papel de forças policiais.

02/09/2026, 18h31
Duração de áudio: 01:16
Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Transcrição
A Proposta de Emenda à Constituição aprovada pelos senadores estrutura o Sistema Único de Segurança Pública e confere à União a competência para estabelecer diretrizes gerais para o setor. O texto permite o policiamento ostensivo de ferrovias e hidrovias federais pela Polícia Rodoviária Federal, prevê um regime especial mais rigoroso para punir chefes de organizações criminosas e admite a criação de polícias municipais de natureza civil. O relator, senador Rogério Carvalho, do PT de Sergipe, explicou por que retirou mudanças da Câmara dos Deputados sobre o financiamento da segurança pública com dinheiro das empresas de apostas, depois de deduzidas as despesas de custeio. (senador Rogério Carvalho) "Não é conveniente dar garantia constitucional às despesas de custeio das Bets, principalmente quando a metodologia de cálculo pretendida prejudica a destinação de recursos para áreas sociais, como educação, segurança pública e esportes." A PEC assegura para o novo modelo de segurança pública receitas vinculadas ao Fundo Nacional de Segurança Pública e ao Fundo Penitenciário Nacional, vedados os contingenciamentos, ou seja, os bloqueios orçamentários. Da Rádio Senado, Bruno Lourenço

Fundação CASA capacita servidores para atender população LGBT+

 


A Fundação CASA realizou capacitação sobre direitos LGBTQIAPN+ para servidores de regional que atende 18 centros socioeducativos

Fundação CASA capacita servidores para atender população LGBT+

Crédito: Divulgação

A Fundação CASA promoveu uma capacitação focada na garantia de direitos e no respeito à população LGBTQIAPN+ para os servidores da Divisão Regional Litoral e Metropolitana (DR2). O encontro reuniu 31 profissionais atuantes no suporte administrativo e em unidades socioeducativas localizadas em municípios como Diadema, Osasco, São Bernardo do Campo, Santo André e Mauá.


A iniciativa, organizada pela Fundação CASA, visa aprimorar o atendimento prestado a jovens que cumprem medidas socioeducativas determinadas pelo Poder Judiciário.

Formação foca em identidade de gênero e combate ao preconceito

Desenvolvida em parceria com o Serviço SerTrans, de São Caetano do Sul, a palestra abordou conceitos sobre identidade de gênero, sexualidade e expressões de gênero. O debate também trouxe dados sobre discriminação e os impactos socioemocionais do preconceito na juventude.

No ambiente socioeducativo, o treinamento continuado de agentes de segurança e técnicos da Fundação CASA é apontado como instrumento essencial para a prevenção de violações de direitos. A meta é garantir um ambiente institucional seguro, capaz de respaldar as especificidades de cada adolescente.


“Conhecer diferentes experiências é fundamental para que possamos oferecer um atendimento cada vez mais humano. Esse tipo de encontro permite esclarecer dúvidas, rever conceitos e consolidar uma postura profissional baseada na dignidade, no respeito e na garantia de direitos.”Ana Paula Almeida Isidório, Chefe de Seção Técnica da DR2.

Atuação integrada e apoio especializado

O SerTrans, parceiro na atividade, atua como serviço de referência em São Caetano do Sul no cuidado integral à população trans e com variabilidade de gênero. O programa oferece atendimento multiprofissional nas áreas de psicologia, serviço social, fonoaudiologia, medicina e orientação jurídica.


Atividades semelhantes já haviam sido aplicadas por profissionais da instituição no CASA Mauá e no CASA Feminino Diadema, expandindo o escopo pedagógico do sistema socioeducativo estadual.

“Ao levar o tema às equipes de centros socioeducativos da DR2, a Fundação CASA reforça que diversidade e respeito não são apenas temas de formação: são condições fundamentais para um atendimento socioeducativo que proteja direitos, valorize pessoas e contribua para a construção de trajetórias mais seguras e saudáveis”, pontua o presidente da Fundação CASA, Acacio Miranda.

CSP aprova aumento de penas para crimes contra agentes de segurança e familiares

 



Da Agência Senado | 01/09/2026, 12h11

A Comissão de Segurança Pública (CSP) aprovou nesta terça-feira (1º) projeto que aumenta as penas para homicídio e lesão corporal cometidos contra agentes de segurança em razão do exercício da função. A proposta inclui entre as categorias protegidas agentes da polícia legislativa, guardas municipais, agentes de segurança socioeducativos e agentes da guarda portuária, além de agentes de segurança privada. O texto segue para análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

O PL 5.744/2023, da Câmara dos Deputados, recebeu parecer favorável do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O projeto altera o Código Penal e a Lei dos Crimes Hediondos para ampliar as hipóteses de proteção penal a esses profissionais e a seus familiares. A proposta também inclui cônjuges, companheiros e parentes até o terceiro grau entre as pessoas protegidas quando o crime estiver relacionado à condição do agente.

Homicídio e lesão corporal

Pelo texto aprovado, o homicídio cometido contra os agentes abrangidos pelo projeto, no exercício da função ou em decorrência dela, terá pena de reclusão de 20 a 40 anos. A mesma proteção será aplicada quando a vítima for familiar do agente e o crime ocorrer em razão dessa condição. O projeto também estende aos agentes de segurança privada o tratamento penal previsto para o chamado homicídio funcional.

Nos casos de lesão corporal dolosa, a pena será aumentada de metade a dois terços quando a vítima for um dos agentes abrangidos pela proposta ou familiar nas condições previstas. O projeto também amplia a aplicação dessa causa de aumento para agentes de segurança privada e seus familiares.

O texto ainda altera a Lei dos Crimes Hediondos para incluir o homicídio praticado nas condições previstas pela proposta entre os crimes considerados hediondos.

Justificativa

No parecer, Flávio Bolsonaro afirma que ataques contra profissionais de segurança em razão de suas funções atingem não apenas as vítimas, mas também a autoridade estatal e a atuação das instituições. Segundo o relator, crimes contra agentes responsáveis pela segurança e pela execução da lei podem comprometer a confiança da população nas instituições e intimidar o exercício das funções públicas.

— Quando esses agentes são vítimas de ataques em razão de suas funções, o que se busca atingir não é apenas a pessoa física do servidor, mas a própria autoridade estatal e a eficácia das instituições republicanas — afirmou o senador.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

terça-feira, 1 de setembro de 2026

Comissão sobre redução da maioridade civil e penal vota nesta terça pedidos para realizar debates

 


Da Agência Câmara - 01/09/2026 - 08:32
MAIORIDADE PENAL
Comissão vai decidir sobre a realização de debates - Foto: ARTE\SECOM

A comissão especial da Câmara dos Deputados que analisa a proposta de redução da maioridade civil e penal para 16 anos (PEC 32/15) reúne-se, nesta terça-feira (1º), para votar requerimentos que pedem a realização de debates relacionados ao tema.

A reunião será realizada às 14 horas, no plenário 7.

Veja a pauta da reunião

Está prevista a votação de 16 requerimentos apresentados pelos deputados Talíria Petrone (Psol-RJ) e Capitão Alden (PL-BA).

Entre os temas propostos para debate estão a redução a proteção de crianças e adolescentes, as condições dos presídios e a atuação de facções criminosas. Há pedidos para ouvir especialistas sobre os efeitos da prisão de adolescentes, a relação entre maioridade penal e violência urbana, os custos das medidas de privação de liberdade, o racismo institucional e a experiência de jovens no sistema socioeducativo.

Há ainda requerimentos para se debater os efeitos de uma possível mudança da maioridade civil nas leis brasileiras e da atuação dos Agentes de Proteção da Justiça da Infância e da Juventude. Também há pedidos para ouvir representantes do governo, do Judiciário, do Ministério Público, da advocacia e do sistema socioeducativo.

A reprodução das notícias é autorizada desde que contenha a assinatura “Agência Câmara”.

Fonte: Agência Câmara de Notícias

Homenagem pelos 24 anos de Fundação CASA


 Hoje é dia de celebrar uma trajetória construída com dedicação, compromisso e muitas histórias. São 24 anos de Fundação CASA, marcados por desafios, aprendizados, conquistas e, acima de tudo, pela contribuição diária para o Sistema Socioeducativo.

O BLOG AGENTES NA NET presta uma justa e especial homenagem a Karen Calegare Dias Damásio, reconhecendo sua caminhada e todos esses anos de dedicação.

Que esta data represente não apenas o tempo de serviço, mas também o valor de cada experiência vivida, das amizades construídas e da contribuição deixada ao longo dessa trajetória.

Parabéns, Karen, pelos 24 anos de Fundação CASA! 👏🎉

Que venham muitos outros anos de realizações, saúde, reconhecimento e conquistas.

💛 BLOG AGENTES NA NET — valorizando e reconhecendo quem faz parte da história do Sistema Socioeducativo.

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Adolescente infrator é apreendido e internado na Fundação Casa

 


Por Redação 30/08/2026 às 17:10

Guarda Municipal apreendeu adolescente em supermercado

A Guarda Civil Municipal cumpriu, neste sábado (29), no bairro Planalto do Sol II, em Santa Bárbara d'Oeste, um mandado de busca e apreensão em desfavor do adolescente V.A.S.C., de 17 anos.

Consta em boletim de ocorrência, registrado no Plantão Policial, que por volta de 13h, uma equipe da GCM recebeu informação de que o adolescente procurado pela justiça estaria no interior de um supermercado na Avenida Charles Keese Dodson.

Os patrulheiros se deslocaram até o estabelecimento e abordaram o menor, que tinha em seu desfavor uma mandado de busca e apreensão, expedido pela 2ª Vara Criminal de Santa Bárbara d'Oeste, no dia 24 de junho deste ano, no qual determina sua internação por tempo indeterminado na Fundação Casa Andorinhas, em  Campinas.

O adolescente foi conduzido e apresentado na Delegacia de Polícia, permanecendo à disposição da justiça.