quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Interno da Fundação Casa custa ao Estado mais do que aluno da Etec

Interno da Fundação Casa custa ao Estado mais do que aluno da Etec

Um adolescente infrator internado na Fundação Casa custa aos cofres públicos cerca de R$ 11.500 por mês, de acordo com o governo do Estado. Já o gasto com um estudante da Etec não ultrapassa os R$ 3.500 anualmente

Foto: Rogério Marques/OVALE
Fundação Casa
Fundação Casa
O gasto mensal do Estado com um interno da Fundação Casa ultrapassa o valor investido anualmente em um aluno da Etec (Escola Técnica Estadual) ou da Univesp (Universidade Virtual) em São Paulo.
De acordo com dados fornecidos a OVALE pelo governo estadual, cada adolescente internado na Fundação Casa custa R$ 11.500 por mês.
Estão incluídos nesse montante o atendimento socioeducativo 24 horas por dia e sete dias por semana, refeições e atividades, como aulas de educação profissional, oficinas de arte e cultura e práticas esportivas, além dos salários e benefícios dos cerca de 12 mil funcionários da instituição.
"Sabe quanto custa um menino da Fundação Casa? São R$ 11 mil por mês. Não é possível dar certo, vamos colocar mais e mais meninos e nós teremos problemas. Está na hora de inverter a lógica, parar de produzir o gelo", disse o governador paulista, Márcio França (PSB), em sabatina feita por OVALE.
Na Etec, cada estudante, que cumpre jornada integral de até 10 horas, custa ao Estado cerca de R$ 3.500 anuais.
"Nas Etecs, cada aluno custa R$ 3.500 por ano. Na Univesp, é R$ 500. Não tem nenhum sentido. Não estamos errando no andar do prédio, estamos errando de prédio", completou o chefe do Executivo. "Estamos produzindo todos os dias um grupo de pessoas que não acha que vai ter chance na vida", disse França. Atualmente, o Vale do Paraíba tem cinco unidades da Fundação Casa, com 364 internos.
CRÍTICA.
"Esses dados mostram que a lógica do Estado para a educação é errada", afirmou Gilmar Ribeiro, que é diretor estadual da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo). Para ele, investir em educação seria mais vantajoso em combater a violência.
"Se nós tivéssemos mais escolas em tempo integral voltadas para esse público vulnerável, onde o aluno realmente desenvolve seu potencial, boa parte desse problemas seria resolvido", completou o educador.
Hoje, as unidades da Etec na RMVale têm 10.172 estudantes, em cidades como Taubaté, São José dos Campos e Jacareí.
Algumas unidades têm só o ensino técnico, enquanto outras oferecem sistema integral de ensino médio e técnico em dois períodos. Para garantir uma das vagas na escola, esses alunos têm que passar por um processo seletivo.
"Isso torna o sistema elitista. Ainda que seja público, é destinado a poucos", disse Ribeiro.
Apesar da rede ter outras escolas de tempo integral, ele considera que são poucas vagas. "Muitas mães dormem na fila para garantir um lugar"..

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