quinta-feira, 5 de março de 2026

ECA Digital quer aval da Justiça para pais lucrarem com filhos influencers

 

Governo discute minuta de regras para exposição de crianças e adolescentes nas redes; texto está previsto para entrar em vigor no dia 17 de março

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A monetização e o impulsionamento de conteúdo produzido por crianças e adolescentes nas plataformas digitais terão que ter autorização judicial prévia, segundo uma minuta do chamado ECA Digital (Estatuto Digital da Criança e do Adolescente), que trata de normas para prevenir violências, abusos e exposição indevida na internet.

A versão do texto preparado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública foi revelada pelo jornal "Estado de S.Paulo" nesta quarta-feira (4) e confirmada pela CNN. A proposta está sob análise em diversos ministérios e ainda pode ser alterada.

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A regra em discussão vale para conteúdos produzidos pelos próprios pais ou responsáveis e quando a criança é exposta nas redes sociais regularmente, como em perfis de influenciadores mirins ou canais familiares.

Sem autorização judicial, as plataformas devem suspender a monetização imediatamente. Também é vedada a monetização de conteúdos que exponham crianças ou adolescentes a situações violadoras ou vexatórias.

O novo ECA Digital foi aprovado em agosto do ano passado pelo Congresso e entrará em vigor no dia 17 de março. O texto ficou conhecido como PL da Adultização e ganhou o debate público após o influenciador Felca publicar um vídeo expondo casos de adultos que exploravam a imagem de menores de idade.

A proposta de regulamentação do ECA Digital ainda estabelece que as plataformas deverão implementar mecanismos confiáveis de verificação de idade e passa a proibir apenas a autodeclaração de idade.

As empresas de tecnologia também ficarão obrigadas a proibir o acesso de menores a conteúdos de pornografia, apostas e jogos de azar, bebidas alcoólicas, produtos de tabaco, serviços de acompanhantes e aplicativos de encontros sexuais.

A minuta do ECA Digital prevê ainda que as plataformas criem mecanismos para evitar uso excessivo ou compulsivo por crianças e adolescentes, além de criar classificação de idade para aplicativos e jogos, assim como ocorre em filmes.

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Nem privilégio, nem precarização: Pelo fim das distorções salariais no setor público

 


A luta é permanente. E só será vitoriosa com unidade e mobilização da maioria dos servidores do Executivo Federal


Nem privilégio, nem precarização: Pelo fim das distorções salariais no setor público
Reprodução/DR

Condsef/Fenadsef

Quem já esteve nos atos em frente ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) sabe: a música "Xibom Bombom", do grupo As Meninas, virou trilha da nossa indignação contra as distorções salariais no Executivo Federal. No refrão do sucesso de 1999, a realidade da política salarial que produz efeitos perversos no setor público: “O de cima sobe e o de baixo desce…” 

A Condsef/Fenadsef e suas entidades filiadas querem dar um outro tom a essa realidade e, por isso, estão em campanha permanente pelo fim das distorções salariais no setor público. Hoje, no Executivo, há carreiras com atribuições semelhantes, responsabilidades equivalentes e exigências técnicas próximas, mas com diferenças salariais profundas.

Essas desigualdades foram ampliadas por negociações fragmentadas e reestruturações pontuais, sem uma política geral de reorganização das tabelas remuneratórias. O resultado é um cenário de injustiça que desestimula servidores, dificulta a retenção de quadros qualificados e aprofunda hierarquias artificiais dentro do próprio Estado.

A situação ganhou novo capítulo com o Projeto de Lei nº 5874/2025, que reestrutura parte das carreiras, mas deixa diversos segmentos de fora, o que aprofunda e cria um novo ciclo de desigualdades internas no Executivo.

Para enfrentar isso, apresentamos 43 emendas no Senado, com o objetivo de corrigir exclusões, equilibrar a política salarial, valorizar as carreiras administrativas e defender concursos públicos em todos os níveis de escolaridade, contra a lógica da terceirização.

A injustiça das distorções salariais não produz apenas efeitos financeiros individuais. Essa política produz vários efeitos institucionais perversos e prejudica o serviço público brasileiro.

Por isso, a campanha pelo fim das distorções salariais é também uma agenda mais ampla de valorização do serviço público.

A luta é permanente. E só será vitoriosa com unidade e mobilização da maioria dos servidores do Executivo Federal.

Serviço público forte se faz com valorização, justiça e organização coletiva.