terça-feira, 28 de abril de 2026

Grupos mobilizam ataques coordenados contra ECA Digital, diz levantamento

 



Por: Cenarium*

27 de abril de 2026
Grupos mobilizam ataques coordenados contra ECA Digital, diz levantamento
Figura encapuzada diante de múltiplas telas em ambiente digital simboliza a atuação de criminosos que utilizam tecnologia e perfis falsos para abordar e explorar crianças na internet (Imagem gerada por Inteligência Artificial)

MANAUS (AM) – Grupos se mobilizam para ataques coordenados ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) Digital, com narrativas alarmistas e desinformação. Essa é a conclusão de um levantamento feito pelo Observatório Lupa e enviado com exclusividade para a Folha.

A pesquisa analisou mais de 33.700 publicações feitas no Facebook, Instagram, TikTok, BlueSky e X, além de mensagens compartilhadas em grupos públicos no WhatsApp e no Telegram, entre 17 de março e 17 de abril — o primeiro mês de vigência da lei, cuja principal bandeira é a verificação de idade em plataformas.

O observatório se classifica como voltado ao entendimento sobre a desinformação e seus impactos no ambiente digital e na sociedade. Faz parte da Lupa, que congrega uma empresa privada e uma associação sem fins lucrativos com base no Rio de Janeiro.

Segundo o estudo, já nos primeiros dias após a entrada em vigor da norma, episódios como a suspensão da venda de jogos e a circulação de informações sobre a saída de sistemas operacionais do país foram usados para sustentar a ideia de que o ECA Digital ameaça a indústria do entretenimento e a inovação.

Uma criança segurando um aparelho celular (Valter Campanato/Agência Brasil)

Os episódios citados são o fim da venda de jogos pela Rockstar Games, da franquia de jogos de ação-aventura Grand TheftAuto, e o desligamento do MidnightBSD e do Arch Linux 32 no país. As companhias afirmaram não ter como cumprir as exigências da lei.

Esse movimento deu origem ao que o relatório classifica como um “pânico de bloqueio”, amplificado por acusações de censura e por uma percepção difusa de vigilância estatal.

Na segunda semana de vigência da lei, o debate se sofisticou e se organizou. O foco migrou para temas como pedidos excessivos de confirmação de identidade por biometria versus a proteção da privacidade. Canais no Telegram e fóruns no Reddit atuaram como polos de coordenação, distribuindo conteúdos padronizados e até scripts para automatizar denúncias em massa.

Nenhum comentário:

Postar um comentário